O bastonário da Ordem dos Engenheiros pediu aos governantes uma visão estratégica, decisão e capacidade de
execução. “Não ter uma posição forte para o país torna-nos fracos”, frisou
Fernando de Almeida Santos, durante a cerimónia de abertura do 3.º Encontro das
Associações Insulares Atlânticas de Engenheiros que está a decorrer no Museu de
Eletricidade.

'A Engenharia na Macaronésia' é o tema deste ano, com o bastonário português a reconhecer que a intervenção da OE,
nos últimos anos, tem causado incómodos, “porque mexemos com vontades e poderes
instalados”. “Mas o nosso papel é desenvolver Portugal”, reiterou o
responsável, que aproveitou o momento para falar sobre o trabalho que tem vindo
a ser realizado durante o seu mandato, procurando estar na vanguarda da
engenharia e tirar dividendos em prol da sociedade “que queremos melhorar com o
nosso contributo”.

Fernando de Almeida Santos garantiu o propósito da OE em
olhar para a profissão atendendo à dimensão de valorização da sociedade e não
apenas ao nível corporativo. “Queremos valorizar o engenheiro para valorizar a
sociedade e Portugal”, afirmou. Além disso, quer consolidar os vários níveis de intervenção da OE ao nível internacional, sendo este evento insular um exemplo dessa abertura.

O bastonário aludiu ao reforço do associativismo internacional para além da dimensão ibérica. A realidade da macaronésia, incluindo Cabo Verde e as associações congéneres mundial e europeia, tem trazido vantagens nas relações internacionais da OE nos últimos 10 anos.

Madeira é laboratório natural

O secretário regional dos Equipamentos e Infraestruturas, Pedro Fino, realçou a importância do encontro de profissionais de várias ilhas do Atlântico para troca de experiências e soluções mais sustentáveis, em benefício de regiões que partilham características como a Madeira.

Para Pedro Fino, a Madeira é "um laboratório natural” para para a engenharia devido à rica biodiversidade, à escassez
de recursos, e à condição de insularidade, que exigem soluções específicas e
inovadoras, atendendo ainda a um quadro de mudanças mundiais, com enfoque nas
alterações climáticas.

Encontro em Cabo Verde

Já Miguel Branco, presidente do Conselho Diretivo da Região
Madeira da Ordem dos Engenheiros, reconheceu a importância destes encontros
insulares na troca de experiências, procurando soluções diferenciadas para
problemas comuns em área como a energia, gestão água, e resíduos, conectividade
entre ilhas e continente, quer em meios alternativos de combustíveis quer no
caminho da sustentabilidade desses percursos e opções.

O 4.º encontro está já agendado para 2026, em Cabo Verde, de
forma a garantir a rotativa e participação das regiões da Macaronésia.

A cerimónia contou também com a intervenção de Carlos Sousa
Monteiro, bastonário de Cabo Verde, que destacou a importância da sua presença
reforçada por sentimento de proximidade com Madeira.