‘25 de Abril: permanências,
ruturas e recomposições’ é um livro que surge na sequência do trabalho
desenvolvido num projecto de investigação do Centro de Estudos de História
Religiosa (CEHR) da Universidade Católica Portuguesa. A pesquisa incide sobre
“o processo de transição democrática em Portugal”, abordando “diferentes
questões em torno da religião, das práticas de fé, das convicções e dos seus
diversos elementos e níveis institucionais e confessionais, atentando às
permanências, ruturas e recomposições verificadas”.

O presidente do Parlamento
madeirense presidiu ao evento de lançamento da obra na Madeira, e de acordo com
José Manuel Rodrigues é “o melhor local para a apresentação deste estudo”, por
se tratar da “sede da Democracia, mas também baluarte da Autonomia, duas
conquistas que andaram sempre de braço dado, ao longo da nossa história dos
dois últimos séculos”.

O presidente do primeiro órgão de
Governo próprio da Região até admite que haja desilusão “sobre o estado do
nosso Portugal”, mas lembrou a importância do 25 de Abril no caminho
democrático e de desenvolvimento, encetado pelo país em 1974.

“Podemos entender que, com os
recursos disponíveis, deveríamos ter um País mais desenvolvido e mais
sustentável, com direitos iguais para todos; podemos nos indignar por haver
ainda tanta gente sem uma casa para viver; podemos pensar que não é admissível,
como acontece, condenar mais uma geração à emigração; podemos contestar as
gritantes desigualdades sociais e assimetrias sociais que ainda prevalecem;
podemos protestar contra a falta de oportunidades para todos; mas há uma coisa
que não podemos esquecer: o 25 de Abril valeu a pena e o Portugal de hoje nada
tem que ver com o Portugal de há 50 anos, e isso faz toda a diferença no juízo
que fazemos sobre a instauração da Democracia”, salientou José Manuel
Rodrigues.

“Como se escreve na introdução
deste livro «…uma revolução não se faz num dia…», sobretudo quando visa a
criação e aperfeiçoamento de um Estado de Direito Democrático, e por isso
ela é uma luta permanente pelo Bem Comum, essencialmente quando grassa a
descrença sobre o nosso sistema político, quando reina a desconfiança sobre os
seus atores e quando forças populistas emergem por toda a Europa, pondo em
causa o pluralismo, a diversidade e os direitos fundamentais duramente
conquistados ao longo de anos.

Que o vosso estudo sirva para
despertar as consciências adormecidas!”, concluiu, em tom de apelo, o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira.

O livro ‘25 de Abril:
permanências, ruturas e recomposições’ estrutura-se em torno de quatro
temáticas fundamentais: “a Guerra, a Descolonização, a Democracia e o
Desenvolvimento”. Foi um trabalho coordenado cientificamente pelo Centro de
Estudos de História Religiosa (CEHR) e editado pela Agência ECCLESIA.

Edgar Silva, investigador do
CEHR, que coordenou a temática da Guerra – 'Conflito de paradigmas sobre o país
e a religião' - destacou que a obra, no seu conjunto, pretende “lançar pistas de
diálogo com a sociedade portuguesa, com as várias realidades sociais, culturais
e políticas do país, para projetar caminhos de construção de um Portugal
melhor.”

A obra conta com contributos
multidisciplinares, com base historiográfica, e pretende “reconhecer e
identificar o 25 de Abril como um acontecimento de repercussão significativa
para o país, no que trouxe de transformação estrutural da sociedade portuguesa”,
aclarou Edgar Silva.

Já Liliana Rodrigues, professora
da Universidade da Madeira, percorreu com o olhar os aspetos mais importantes
do livro ‘25 de Abril: permanências, rupturas e recomposições’, dando-os a
conhecer ao público presente na sessão de lançamento.

Pedro Silva Rei, investigador do
CEHR, coordenou, juntamente com Nuno Estevão Ferreira, a temática do
“Desenvolvimento – Aspiração de uma ‘vida melhor’: mais escolaridade, trabalho,
habitação e justiça social”. Recordou que a publicação está inserida nas
comemorações dos 50 anos da democracia em Portugal, e por isso deixou um
conjunto de questões para provocar a reflexão pública, no seguimento da
obra. “Há muita coisa que ainda precisa de ser estudada, desde os
partidos políticos às chefias militares, passando pelas comunidades religiosas
e pelas associações”, enfatizou.

O bispo do Funchal fez o fecho da
apresentação salientado que o livro “é muito importante para entender como a
igreja esteve antes, durante e depois da revolução”. D. Nuno Brás deu vários
exemplos de como “os acontecimentos foram vividos com serenidade por parte de
protagonistas centrais da vida política e da vida católica portuguesa”.
Enfatizou a importância da “firmeza da defesa da liberdade para todos e, ao
mesmo tempo, da defesa da participação católica na vida nacional”.