O Grupo
Parlamentar do Partido Socialista quer que o Governo Regional venha prestar
esclarecimentos sobre a redução dos apoios aos agricultores madeirenses
referentes à campanha de 2023, advertindo, desde já, que não se deixa convencer
com justificações que têm apenas como objetivo desresponsabilizar o Executivo refere o partido em nota de imprensa enviada esta manhã.

Explica o PS que vários
agricultores manifestaram a sua preocupação pelo facto de o montante dos
apoios recebidos relativos a 2023 ter sofrido uma redução significativa
comparativamente a anos anteriores, o que só os vem penalizar ainda mais, ou
não fossem já os agricultores com os rendimentos mais baixos do País. Tal facto
levou os socialistas a darem entrada na Assembleia Legislativa da Madeira a um
pedido de esclarecimentos para apurar a razão desta diminuição, apesar de o
Governo Regional, em vésperas das eleições regionais, ter anunciado um reforço
de verbas.

A deputada
Sílvia Silva repara que, ainda antes de responder ao pedido de esclarecimentos
do PS, o Governo Regional vem, já hoje, na comunicação social, tentar
justificar este problema com “um constrangimento informático que, como é usual,
desresponsabiliza o Executivo” sobre o motivo do atraso do pagamento do ‘Pedido
Único’ para março, em vez do fim do ano passado.

A parlamentar
faz notar que, de acordo com o calendário de pagamentos publicado no sítio da
internet do IFAP e com notícias veiculadas pelo próprio Governo Regional dando
conta da antecipação das ajudas, os agricultores da Madeira receberam, em
novembro de 2023, um montante correspondente a 70% do valor relativo à Medida
‘Apoio Base ao Agricultor Madeirense’ e ainda valores relativos a diversas
medidas no âmbito do PEPAC, nomeadamente o adiantamento de 85% dos apoios para
a ‘Manutenção de muros de suporte de terras’, ‘Modo de Produção Biológico’,
‘Preservação de pomares de frutos frescos e vinhas tradicionais’, ‘Pagamentos
Natura 2000 e Diretiva-Quadro da Água’ e ‘Controlo de espécies invasoras’.

Sílvia Silva
adianta que, das ajudas, que representam o maior volume de verbas auferidas
pelos agricultores da Madeira, fica apenas por pagar, em fevereiro de 2024,
o ‘Apoio a zonas com condicionantes naturais ou específicas na Madeira e
no Porto Santo’, vulgarmente designadas por ‘indeminizações compensatórias’,
pelo que os agricultores “não entendem o motivo da redução dos valores que
estavam habituados a receber no fim de cada ano, temendo que as verbas tenham
sido desviadas para outras medidas com pouca adesão e pouco significado para a
valorização da produção regional”.

Com base
nestas preocupações legítimas dos produtores madeirenses, o Partido Socialista
solicitou esclarecimentos à Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente para
saber se houve, de facto, uma redução dos montantes dos apoios mais
significativos atribuídos face a anos anteriores, “apesar da propaganda oficial
que assegura existir ação regional para fazer face aos constrangimentos
causados pelo aumento do preço dos fatores de produção”.

Sabendo que o
valor do ‘Prémio ao Agricultor’ tem registado uma redução ao longo dos anos, o
PS quer saber a evolução dos valores atribuídos no âmbito desta medida na
última década, para explorações com áreas inferiores e superiores a 5000 m2,
quais foram os montantes definidos para a campanha de 2023 e as razões que têm
levado à redução do valor base de apoio, uma vez que, de acordo com os números
do último recenseamento agrícola, o número de agricultores madeirenses não está
a aumentar.

No pedido de
esclarecimentos, os socialistas querem também saber qual foi a adesão dos
agricultores às novas medidas anunciadas pelo Governo Regional, nomeadamente ao
apoio à ‘Manutenção de muros de pedra de croché em Porto Santo’ e ao apoio à
‘Manutenção dos bardos em urze’.

O PS
pergunta ainda pelo número de agricultores que solicitaram o título de
reconhecimento do Estatuto da Agricultura Familiar na Região e o valor
equivalente dos respetivos benefícios. Uma questão que advém do receio de que o
Executivo “ainda não tenha desenvolvido os mecanismos que permitem aos
agricultores madeirenses usufruírem de direitos que já existem há vários anos
para os demais pequenos agricultores no resto do País, o que penaliza mais uma
vez a produção regional, sempre maltratada pelo Governo Regional”.