O antigo líder do partido Pessoas Animais Natureza (PAN)
está completamente contra a assinatura do acordo de incidência parlamentar que
garante ao PSD e ao CDS a maioria parlamentar para formar governo na Região
Autónoma da Madeira, iniciativa que foi ontem à noite sufragada pela Comissão
Política Nacional do PAN, mas que claramente continua a não ser consensual. O
comentário foi deixado esta manhã no programa ‘Café Duplo’, da TSF nacional.

André Silva, que liderou (como porta-voz) o PAN nacional de
2014 a 2021, tendo nesse período (2015-2021) sido eleito o primeiro deputado desta
formação à Assembleia da República, foi questionado sobre as vozes discordantes
no seio do partido. "O PAN acaba de cometer um erro político enorme e eu
sinto-me profundamente envergonhado", atirou a abrir. "O PAN deu a Miguel
Albuquerque o que os madeirenses não quiseram dar, a perpetuação do regime que
gere a Região de forma autoritária e sem prestação de contas".

Mais, disse o engenheiro civil de profissão, que "em menos
de 24 horas o PAN assume uma autêntica fraude política, porquanto tem propostas
e supostos ideais antagónicos daqueles que governam a Madeira e fez toda uma
campanha de oposição às práticas e políticas do regime, para de seguida vir
garantir nada menos que quatro anos de estabilidade, entenda-se de maioria
absoluta, defraudando os que votaram em defesa do Ambiente e dos Animais, mas
que afinal vão garantir a política dos grandes interesses económicos e especulativos,
sem olhar à constante e contínua destruição do património natural da Região",
criticou de enfiada.

Por outro lado, lamentou, "é profundamente confrangedor o
caderno de encargos que o PAN exigiu em troca do garante de mais 4 anos de
maioria absoluta, reforçando que “o alcance das medidas é muito fraco, é uma
total indigência política". E exemplifica: "Basta atentar ao que sobre estas disse
Nuno Melo. As matérias relativas ao acordo entre PSD e PAN são matérias inócuas
e dificilmente seriam recusadas por qualquer partido na Assembleia legislativa da
Região Autónoma da Madeira, e algumas medidas acordadas já faziam parte do
programa da coligação (Somos Madeira). Aliás, o silêncio sobre a inocência das
medidas é revelador da não existência de nenhum incómodo ou clamor por parte de
nenhum sector de actividade económica ou de partido político, diz tudo sobre
estas medidas. Não vão alterar ou beliscar nenhum contexto referente a práticas
económicas, políticas, ambientais ou de defesa animal. E, portanto, não
incomodam ninguém. E quando um partido como o PAN deixa de incomodar não serve
para nada."