
“Lamento
eventualmente desiludir algumas pessoas que pressagiavam o fim da CDU e o seu
desaparecimento do plano parlamentar. Eventualmente alguma alma mais vulnerável
poderá ficar um pouco perturbada por este resultado. Mas a verdade é que não só
a CDU conseguiu garantir o aumento de votos comparativamente com há quatro
anos, como também houve um crescimento da massa eleitoral em 50% dos votos
expressos e a percentagem eleitoral teve uma progressão de 1,8 por cento para
os 3 por cento, ficando a CDU a caminho do segundo deputado”. Edgar Silva
escolheu esta forma carregada de ironia para iniciar o seu comentário aos resultados
desta noite, que garantiram a eleição de um deputado para a coligação que junta
PCP e Partido Ecologista ‘Os Verdes’.
No entender
de Edgar Silva, o resultado desta coligação “é sobretudo expressão do
reconhecido valor da intervenção em defesa dos trabalhadores e do povo, quer no
parlamento regional, quer nas muitas lutas, desde as empresas às localidades,
uma intervenção que se sobrepôs às campanhas de menorização da CDU e da
confiança que conquistou com o seu trabalho”.
O líder
comunista realçou que “a não obtenção da maioria absoluta pela coligação
PSD/CDS é o elemento mais relevante dos resultados hoje conhecidos”. Trata-se
de “uma derrota indisfarçável” que é “fruto das políticas anti-sociais” do
Governo Regional.
Edgar Silva considera que destas eleições sai “um
quadro onde a política de direita fica muito, muito penalizada”, mas não
acredita que a Região fique ingovernável e até admite que o Chega possa vir a fazer
parte de uma solução de Governo: “Os partidos da direita têm uma longa
experiência de sobrevivência que nem lapas agarradas ao poder. Para garantir a
sua perpetuação não olharão a meios. E já aí estão vários serviçais em bicos de
pés. Pelo que vi, [os deputados eleitos pelo Chega] já estavam em bicos de pés
a se oferecer para resolver soluções de governo. Nada nos surpreende, nada que
a gente não estivesse à espera. Eles que tanto falavam do combate aos tachos, a
primeira coisa que fazem é "onde é que há tachos"?”.

