Sara
Cerdas é a relatora principal do regulamento do Mecanismo de Protecção Civil no
Parlamento Europeu, que visa garantir os meios aéreos de combate a incêndios
necessários a toda a União Europeia e países parceiros em situações de
emergência.

“Só
na última semana a Madeira esteve em aviso vermelho devido à subida de
temperatura, o que significa um elevado risco de incêndio e a necessidade de
mobilização de mais meios de vigilância. A nível nacional, 40% do território
está em seca severa e extrema. Situações como estas, que provocam catástrofes e
ameaças, vão passar a ser mais recorrentes, em resultado das alterações
climáticas. Existe uma falta de preparação da Europa para estes desafios e, por
isso, é necessário identificar os problemas e efetuar avaliações de risco mais
coerentes, identificando as zonas mais vulneráveis, e formas de coordenar e
comunicar”, aponta Sara Cerdas.

A
eurodeputada do PS considera, por isso, que para fazer face às ameaças “precisamos de mais
recursos e de financiamento disponíveis, bem como de uma adaptação do quadro
comunitário europeu”, uma vez que o financiamento actual “é insuficiente”.

Durante
a apresentação do relatório a eurodeputada apelou à avaliação, ainda em 2023,
da decisão 1313/2013 relativa ao mecanismo de protecção civil, por considerar
importante "compreender e abordar as causas subjacentes das alterações
climáticas e da perda de biodiversidade, para reduzir o risco de incêndios
florestais; e analisar as lições aprendidas durante a pandemia de COVID-19, bem
como o conflito armado na Ucrânia".

O
Comissário Europeu com a pasta da Gestão de Crises, Janez Lenarčič, também
concordou recentemente com a necessidade de mais investimento na área da
prevenção. “Sempre que temos uma crise temos de dar uma resposta e os
Estados-Membros não têm mãos a medir. Tem de haver mais investimento para a
prevenção, pois qualquer euro investido na prevenção e preparação custa 10
vezes menos do que a capacidade de resposta”, referiu na audição da Comissão de
Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar (ENVI) do Parlamento Europeu.

O
Mecanismo de Proteção Civil da União (UCPM) visa reforçar a cooperação em
matéria de proteção civil, a fim de melhorar a prevenção, a preparação e a
resposta a catástrofes. Desde a sua criação, o mecanismo de Proteção Civil da
União já respondeu a mais de 650 pedidos de assistência dentro e fora da UE. A
proposta alarga em dois anos o período de mobilização, a nível transitório, até
que haja uma frota permanente de meios aéreos do rescEU. Sem este alargamento,
não haveria meios de apoio a incêndios e a outras catástrofes no próximo ano.