O Bloco de
Esquerda-Madeira (BE-M), com a presença do líder da bancada parlamentar, Pedro Filipe
Soares, o mandatário da candidatura, Hélder Spínola, e os candidatos Roberto
Almada e Dina Letra, realizou hoje uma iniciativa política.
Aos jornalistas, Pedro Filipe Soares diz-se confiante no regresso do BE-M à Assembleia Legislativa da Madeira (ALM): "Muito
confiantes, não concebemos de outra forma, mas necessariamente o voto é das
pessoas e a nossa confiança só valerá a pena se as pessoas se mobilizarem para
votar".
Não há nenhum dado adquirido, não há nenhum eleito antecipadamente.
Por isso, apelou ao voto no BE, dirigindo-se todos os que acham que é pertinente pensar os problemas das alterações climáticas, "em particular no acesso a um bem público, como deveria
ser ao mar", na "qualidade de vida das pessoas", "quem achar que é necessário o
reforço da Autonomia e uma voz que defende a Autonomia para defender também uma
melhor relação entre a região autónoma e a República", e quem achar que "tem que ter a
atenção do poder público para garantir habitação a preços aceitáveis para as
pessoas que não sejam especulativos e que salvaguardem esse direito
fundamental".
Antes, salientou que Roberto Almada e Dina Letra, do Bloco de Esquerda, com a sua força, mostram que em debates estruturais sobre alterações climáticas, acesso ao mar, ordenamento da orla costeira, etc., não deixam de "pôr o dedo na ferida", não deixam de "apresentar soluções para
problemas que batem diretamente na vida das pessoas e, por isso, é neste
caminho para as eleições legislativas regionais que se mostra a diferença e a
necessidade do Bloco de Esquerda ter uma voz mais forte da Assembleia
Legislativa Regional".
Antes, na iniciativa de hoje, a comitiva fez uma visita à orla costeira que é apresentada com uma "barreira" para
que as pessoas não possam aceder ao mar, que é "quase paradoxal numa ilha, mas
que é a realidade que decorre de escolhas públicas que não são norteadas para o
benefício da natureza, para pensar a sustentabilidade dos investimentos, para
pensar a adaptação às alterações climáticas".
E criticou ainda a postura do Governo Regional da Madeira, ao contrário dos Açores, na questão da revisão constitucional.
E diz saber que o voto no BE-M fará toda a diferença e é, por isso, "fundamental que ele aconteça". "Não podemos ficar em casa, não podemos achar para
amanhã o que podemos fazer hoje, hoje o que podemos fazer é fazer esse voto na
diferença e ele é no Bloco de Esquerda", concluiu.
Já o mandatário da candidatura bloquista, Hélder Spínola, focou outros aspectos: “Nós
identificamos problemas mas também soluções, mas acima de tudo debaixo da
premissa de que nós estamos perante um conjunto de alterações no clima, o
efeito de estufa a se agravar, a subida do nível do mar também a ser um
aspecto a equacionar quando nós pensamos o nosso litoral".
O ambientalista vai mais longe: "Na verdade, a Madeira
tem vindo a ocupar o litoral sem fazê-lo a luz de instrumentos de ordenamento.
Passaram-se décadas até que pela primeira vez este ano chegamos a ter a discussão
pública para o ordenamento do litoral da ilha da Madeira. Ainda assim é um
documento que não está ainda aprovado. Estivemos a ver também aqui algumas
ideias que têm surgido tem vindo a público novamente, nomeadamente o antigo
projeto turístico imobiliário para a zona do toco, que implica conquistar
terreno ao mar no momento em que o nível do mar está a subir, em que por toda a
Europa se diz que é preciso recuar e é preciso renaturalizar estes espaços".
Diz que o BE esteve também a analisar as opções que foram feitas no passado
e que "colocam graves problemas ao presente, quer seja em termos de manutenção
dessas infraestruturas, quer inclusive até em termos de distanciamento da
cidade em relação ao mar e barreiras para o uso fruto dos cidadãos junto à
costa".
E naturalmente que defendemos que haja uma outra visão, uma visão
diferente para o futuro, visão essa que tenha em linha de conta o que está a
acontecer, as transformações que estão a acontecer no planeta, mas que também
se fazem sentir aqui na Madeira em termos de alterações do clima e que o
planeamento do litoral seja feito com base em premissas de ter uma visão a
médio e longo prazo, de termos a possibilidade de ter contacto com o mar, uso
fruto do mar e naturalmente evitar que investimentos que venham a ser feitos ou
queiram ser feitos não fiquem depois em causa no futuro com estas alterações
que já se fazem sentir.
Por isso, não tem dúvidas: "Ou
seja, precisamos de uma outra política, de uma outra forma, de uma outra visão
para que estejamos adaptados também em relação ao litoral, mas não só, face às alterações climáticas que se fazem sentir".
