Pelo segundo dia consecutivo, o Funchal regista um valor
recorde de temperatura máxima para o mês de Junho. No último balanço do
Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a capital madeirense atingiu os 37,9
ºC às 14 horas desta terça-feira, ultrapassando o máximo histórico verificado ontem à
tarde.

Ontem, o termómetro subiu até atingir a máxima de 37,4
ºC às 16h40. Uma marca que, conforme já se perspectivava, seria
ultrapassada esta terça-feira, dia em que continua a vigorar o aviso vermelho, o mais
grave numa escala de quatro, devido ao tempo quente e seco, e que se previa temperaturas a rondar os 35 ºC.

A par do Funchal (Lazareto), também outras duas localidades servidas com estações meteorológicas do IPMA registaram, às 14 horas, valores acima dos 35 ºC: Quinta Grande (37,4 ºC) e Lido (35,7ºC).

O histórico de temperatura do IPMA remonta a 1961. Em Junho de 1983, a estação meteorológica
do Lazareto, onde se situa o Observatório do Funchal, bateu nos 34,7 ºC. Os registos de ontem e de hoje são, para o mês de Junho, os mais elevados dos últimos 62 anos, ou seja, desde que há registos na Madeira.

Após uma noite tropical em 16 das 21 localidades com estações meteorológicas e em que o Monte registou a mais elevada temperatura mínima (28,7 ºC às 8h30), os valores vão continuar a subir ao longo deste dia tórrido, sendo bem provável que esta terça-feira se torne no dia mais quente de sempre na Madeira em termos absolutos.

A temperatura máxima mais elevada alguma vez registada na Madeira na rede do IPMA ocorreu a 10 e 11 de Agosto de 1976.

O tempo quente e seco e a persistência de valores bastante elevados de temperatura máxima devem-se à acção conjunta de um anticiclone localizado a nordeste do arquipélago dos Açores, que se estende em crista até ao Golfo da Biscaia, e de um vale depressionário localizado entre o norte de África e a Península Ibérica, que permite o transporte de uma massa de ar quente e seco até ao arquipélago da Madeira.