O presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado, admitiu,
esta manhã, no Fórum de Emprego que decorre na sala da Assembleia Municipal, que
a Madeira, tal como o país, tem um problema demográfico pela frente, com o envelhecimento
da população e escassez de recursos humanos para as necessidades do mercado
laboral, pelo que uma das respostas deverá passar pelo aumento dos salários no sector
privado.

“Temos que
rever urgentemente como é que o país está organizado, como paga aos seus
funcionários públicos e como pagam as empresas. Para isso será preciso coragem
política”, declarou o autarca, que lembrou que a Região já fez parte desse caminho,
ao aumentar em cerca de 300 euros o salário mínimo regional desde o ano 2015. “Nunca
em tão pouco tempo cresceu tanto [o salário mínimo regional]. Quer o sector
público, quer o privado têm de pagar mais”, referiu Calado, que assumiu que os
1.200/1.400 euros do salário médio “não dão para pagar” um apartamento T1 ou T2
aos preços praticados hoje na Madeira, pelo que “temos de fazer uma
actualização salarial”.

Pedro Calado
defendeu ainda uma revisão da legislação laboral, de modo a que os jovens
casais tenham melhores condições para terem filhos. Neste capítulo, apontou
como exemplo negativo os turnos repartidos no sector de hotelaria, que fazem
com que as pessoas estejam presas ao trabalho de manhã à noite. “O turismo
nunca teve tantas receitas como teve este ano, como teve no ano passado. O RevPAR
[rendimento por quarto] aumentou e muito. Já sei que os hotéis pagam acima da
média. Mas temos que olhar para a legislação laboral e permitir que as pessoas
trabalhem por turnos sem serem prejudicadas”, adiantou.

O presidente
da autarquia funchalense temperou estas declarações de espírito algo sindical com uma
proposta que o próprio assumiu ter um pendor “reacionário”: equiparar os
funcionários públicos a funcionários privados e “quem trabalhar recebe, quem
não trabalhar não recebe, vai para a rua".