“Que hei-de fazer com Jesus, chamado Cristo?” É com esta
interrogação de Pilatos que o Bispo do Funchal iniciará a homilia da Missa
Solene de Páscoa, este domingo, na Catedral do Funchal.
No encerramento da Semana Santa, o prelado considera que
a resposta não apenas intelectual mas de toda a nossa existência, para concluir
que neste Domingo de Páscoa “aquela interrogação deixa de fazer sentido: Jesus
desapareceu, o túmulo ficou vazio! Que podemos fazer com um vazio? É esta mesma
aflição que leva Pedro e João a correrem ao sepulcro. Com Jesus morto,
sepultado, sabiam o que fazer: estava morto, mas tinham os seus restos mortais
a que se agarrar. Com um ausente, tudo fica definitivamente perdido! Pedro e
João correm — quase parecem dois atletas e ver quem chega primeiro! — correm
logo que as mulheres lhes comunicam: “Levaram o Senhor do sepulcro, e não
sabemos onde O puseram!”. Move-os a aflição. Não bastava já a morte, quanto
mais um vazio! E ali estavam as ligaduras e o sudário “enrolado à parte”, diz o
evangelista, como que a mostrar que, longe de ser um acaso fortuito, tudo tinha
acontecido segundo um desígnio… Mas o “discípulo amado” “Viu e acreditou”. João
viu o vazio do sepulcro; viu as ligaduras; viu o sudário enrolado; viu a
aflição no rosto de Pedro”, refere o início da homilia a ser lida amanhã.
Para D. Nuno Brás “as realidades tangíveis eram as
mesmas, mas os olhos da fé foram capazes de ver mais longe e de perceber o
significado do que tinha acontecido naquele lugar, naquela manhã de Domingo.
Foi desse modo que a ausência desapareceu, e Presença se tornou bem maior: uma
presença de Jesus, bem mais forte e significativa que aquela anterior, quando o
Mestre podia ser percebido com os sentidos da carne. Acreditar, com efeito, é
perceber esta Presença. Ser cristão é perceber esta Presença”, reforça o
prelado madeirense.
Conclui que “a percepção da Presença do Ressuscitado
invadiu o mundo inteiro, chegou até nós. Esse é o caminho da fé: longe de ser
um sentimento vago ou o fruto de um raciocínio elaborado, o caminho da fé é
antes a percepção da Presença de Jesus ressuscitado, que se nos impõe como
evidência primeira e oferece a razão, o sentido de tudo o resto — da nossa vida
e da vida do mundo”, concretiza.
