No âmbito das Comemorações do 49.° aniversário do 25 de
Abril, o Bloco de Esquerda Madeira promoveu hoje um debate com a presença
de Luís Fazenda, co-fundador e ex-deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia
da República, e com Henrique Sampaio, jornalista do jornal Comércio do Funchal,
já extinto, e um dos co-organizadores da manifestação do 1.° de Maio de 1974.

Como se viveu o 25 de Abril na Madeira; como chegou cá a
mensagem da libertação das amarras da ditadura; as vivências do antes e do pós
25 de Abril de 1974; como reagiram as autoridades da República que governavam a
Região Autónoma da Madeira; como se tentaram calar as conquistas da Revolução
na Madeira; como reagiu o povo à conquista da Liberdade que Abril trouxe foi o
mote da intervenção do orador Henrique Sampaio, refere o partido, em nota de imprensa.

A intervenção intimista de quem viveu esses momentos
turbulentos na primeira pessoa, foi "principalmente um testemunho entusiasta das
conquistas de Abril para o povo português".

Abril trouxe a liberdade e a democracia; o dever e o direito
de, através do voto, todas e todos poderem escolher quem governa; o acesso à
habitação, a cuidados de saúde e à escola para todas e todos. Abril trouxe a
esperança ao povo, o sonho e a vontade de um amanhã tornado realidade com toda
a força do que isso significa.

Foi igualmente abordado o contributo que a Revolução e a
Constituição de 1976 possibilitaram à instituição da Autonomia nos Arquipélagos
da Madeira e dos Açores, enquanto importante instrumento de correcção de
assimetrias sociais, culturais e estruturais.

"Esquecidas pelo Estado central, as regiões atlânticas
encontraram na democracia a oportunidade de decisão em nome próprio, de modo a
garantir o desenvolvimento económico e social das suas gentes e lugares, e
assim nasceram as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. A Autonomia ganhou corpo com o Estatuto
Político-administrativo, que possibilitou um governo próprio e a
"regionalização" de serviços públicos essenciais como a saúde ou a
educação", apontam.

Entende o BE-M, que reforçada pela revisão da Constituição de 2004, as Regiões
Autónomas ganharam a capacidade de legislar e de fazer leis em nome próprio. "Contudo, paradoxalmente, o PSD-M, que tanto usa e se
apropria da palavra Autonomia como se fosse o seu único defensor, nunca se
interessou em rever o Estatuto Político-administrativo que permitiria, entre
outras coisas, maior transparência, fazer leis próprias e não se limitar à
adaptação da legislação nacional", diz ainda.

O Bloco de Esquerda compromete-se com o aprofundar da
Autonomia, procurando sempre ressalvar a participação democrática de todas e
todos os cidadãos na construção de uma sociedade mais justa e equitativa.