A guarnição do NRP Mondego não recebeu até ao momento
qualquer indicação do comando naval para acompanhar o navio russo em águas
nacionais, até porque no final da tarde desta terça-feira o patrulha segue para as Ilhas
Selvagens com uma outra missão: rendição dos vigilantes da natureza e dos agentes
da Polícia Marítima.

Isso mesmo foi confirmado pelo DIÁRIO junto
de Rui Teixeira, comandante da Zona Marítima da Madeira.

“Até ao momento, não recebemos qualquer indicação por parte do Comando Naval para acompanhar esse navio russo na eventualidade de entrar nas águas territoriais portuguesas”
— Rui Teixeira, comandante da Zona Marítima da Madeira

Neste momento, o ‘Akademik Fyodorov’ está a passar a cerca de 70 quilómetros a Leste da reserva de protecção especial das Ilhas Selvagens.

O capitão-de-mar-e-guerra lembra que a
Marinha não tem por hábito divulgar este tipo de missões que realiza com regularidade
na Zona Económica Exclusiva (ZEE), sendo que os meios a empenhar são
previamente avaliados pelo Comando Naval da Armada tendo por base critérios de risco, atendendo às
especificidades das embarcações e às características da rota que seguem.

No caso do ‘Akademik Fyodorov’, o
comandante Rui Teixeira sabe que a passagem pelo arquipélago das Canárias “está
a ser acompanhado pelas entidades espanholas”, não dispondo até ao momento em
que falou ao DIÁRIO (13h15), de qualquer orientação por parte da cadeia de
comando da Marinha Portuguesa no sentido de empenhar o NRP Mondego para
escoltar o polémico navio científico russo.

Contudo, o Comando Naval da Armada está a seguir
atentamente, através de GPS, a trajectória do ‘Akademik Fyodorov’ que, para já, não terá adoptado um comportamento considerado suspeito tendo em conta a rota seguida pela embarcação científica, no entender das autoridades portuguesas.

A única certeza até ao momento é que o
NRP Mondego sairá ao final da tarde para as Ilhas Selvagens para cumprir a missão
mais regular que habitualmente realiza, apesar dos recentes percalços e da última saída não ter sido
bem sucedida devido a uma avaria na propulsão, obrigando ao auxílio de um reboque para o porto do Caniçal.

A rendição dos vigilantes da natureza e dos agentes da polícia marítima ao fim de pouco mais de 21 dias acabou por ser então realizada pelo NRP Setúbal, navio patrulha que, a par do e NRP Centauro, partiram há 3 dias para mais uma missão no âmbito da iniciativa Mar Aberto, que contribui para o incremento da segurança marítima no Golfo da Guiné.