A inspecção técnica a realizar ainda hoje ao NRP Mondego por
peritos da Direcção de Navios, será o segundo exame minucioso a ser feito em apenas
duas semanas ao polémico navio patrulha da Marinha Portuguesa, adquirido em
2016, à Marinha Real Dinamarquesa.

No rescaldo do caso de insubordinação de 13 militares (metade
da guarnição) que recusaram embarcar no navio Mondego no dia 11 de Março, alegando
falta de segurança, incidente que fez abortar missão de acompanhamento de navio
russo a navegar próximo da ilha do Porto Santo, o Chefe do Estado-maior da
Marinha e Autoridade Marítima Nacional, Henrique Gouveia e Melo, veio à Madeira
não apenas ‘condenar’ a atitude dos insubordinados, mas também reforçar o apoio
à decisão do comandante do Navio da República Portuguesa (NRP) Mondego.

Após reunir-se com a hierarquia do navio, Gouveia e Melo
foi categórico em afirmar nunca ter tido quaisquer dúvidas sobre a decisão da
linha de comando, que querer empenhar o NRP Mondego na missão em causa, e
assegurar que só havia ordenado a inspecção “independente” ao navio para ‘tirar a limpo’ eventuais dúvidas face ao
ruído exterior que o caso havia suscitado. Assegurou então que a avaliação
técnica feita ao navio da classe Tejo permitiu a concludente conclusão: “Foi um
rotundo não, não erraram”, afirmou o Chefe do Estado-maior da Marinha e
Autoridade Marítima Nacional, há menos de duas semanas.

O NRP Mondego que se manteve ‘estacionado’ no Porto do
Funchal até a passada quarta-feira, dia 22, na noite desta segunda-feira voltou
a ‘soluçar’. Depois de uma saída atribulada e envolta em ‘muito fumo’ do Porto
do Funchal, não tardou que o navio, que se dirigia para as ilhas Selvagens na habitual
missão de rendição dos Vigilantes da Natureza, acabasse por ficar à deriva ao
largo da baía do Funchal. Só cerca da 01:00 da manhã, já com a presença de
rebocador ‘Cte Passos Gouveia’, da APRAM, o navio da marinha foi mobilizado, em
marcha lenta (abaixo dos 5 nós), para o Porto do Caniçal, onde permanece
acostado desde as 05:30.