‘João, cabeça no ar’ é uma criança como tantas outras, que
se distrai com facilidade, que encontra seres imaginários nas nuvens e até no prato
de cereais do pequeno-almoço. O livro, escrito pela educadora de infância
Liliana Freitas, pretende mostrar que o amor vence barreiras e que este
sentimento é “aceitação e compreensão da diferença”. A obra foi apresentada
esta manhã na abertura da 49.ª Feira do Livro do Funchal.
A autora contou ao DIÁRIO que escreveu este conto infantojuvenil
com base na sua infância. “Eu acho que o ‘João, cabeça no ar’ tem muito a ver
comigo, na verdade eu acho que tem um pouco a ver com toda a gente. Aquelas ideias
todas, o olhar o céu, o imaginar imensas coisas, acho que passa muito pelo
mundo da criança”.
O ‘João, cabeça no ar’
é simplesmente uma criança como todas as outras, que se distrai facilmente e
que sabe contemplar e é no fundo este apelo à aceitação do outro e a importância
da contemplação. Nunca se deixar de se encantar pelas coisas que a história
fala.
Segundo Liliana Freitas o 'bichinho' da escrita sempre esteve
presente na sua vida, mas nunca acreditou muito nas suas capacidades e o que acontecia era que após
escrever histórias acabava por rasgá-las.
Eu sempre escrevi,
desde miúda sempre escrevi, mas nunca acreditei muito. Achava sempre que nunca
ninguém ia gostar das minhas histórias e por norma o que fazia era rasgar as
folhas que eu escrevia.
Apesar deste não ser o primeiro livro desta educadora de
infância, a verdade é que o que impulsionou a escrita foi uma prenda dada por
uma amiga.
Houve uma amiga minha
que me deu um caderno em branco e disse ‘Escreve’. E aquilo fez um clique e
eu, que sempre tive este bichinho, percebi que aquilo foi quase como um apelo para que eu
escrevesse e foi realmente a partir daí.
Durante a apresentação, a obra foi descrita por Ana Margarida Camacho Araújo, na qualidade de apresentadora do livro, por ter uma “escrita simples e abordar o sentimento mais nobre que é o amor”.
Na apresentação estiveram ainda, além de familiares e amigos, os alunos de Liliana Freitas, uma presença que a deixou emocionada. "Eu fui surpreendida porque são as crianças da minha sala e eu não sabia. Nem me passou pela cabeça trazê-los até cá e fizeram-me uma bonita surpresa", confessou ao DIÁRIO.
Relativamente a ideias futuras, a autora confirma que existem, mas ainda não passou para o papel.
Já tenho muitas ideias em mente. Não passei para o papel, falta este pequeno passo. São também histórias infantis, mas eu também quero escrever outras porque há tantas coisas que nos inspiram. O mundo, as pessoas, há uma série de coisas que nós devíamos prestar mais atenção. E a escrita é uma forma de chegarmos aos outros através daquilo que nós sentimos e a forma como nós vemos as coisas, o mundo e as pessoas. É o lado interessante da escrita. Nós podemos colocar muito de nós naquilo que escrevemos e uma forma de nos darmos ao mundo.
Após a apresentação, a autora esteve nos stand Joias da Cultura para uma sessão de autógrafos.
Veja um pouco da apresentação de 'João, cabeça no ar' de Liliana Freitas
Feira do Livro arranca com nove actividades programadas
Tal como já noticiado pelo DIÁRIO, esta 49.ª edição da Feira do Livro do Funchal, que teve início às 10 horas, contará com nove actividades hoje.
'João, cabeça no ar' foi a primeira actividade do dia. Às 15 horas, há a apresentação do livro 'Poeira de estrelas', de Clara Haddad com Leda Pestana, seguindo-se de uma sessão de autógrafos.
Às 16h30, na Avenida Arriaga existirá animação de rua com o Teatro Bolo do Caco, com 'mascarados Barroco' e às 18 horas com 'À Barca! À Barca' com Nuvem Aquarela.
O palco da Feira do Livro do Funchal acolhe, pelas 19 horas, o lançamento da Banda Desenhada 'O Teatro – lugar (entre)mundos' com Roberto Macedo Alves, Francisco Branco, Válter Sousa, Antony Brazão, Mónica Garcês e Sebastião André.
O Teatro Municipal Baltazar Dias vai inaugurar, às 17h30, a exposição 'Ocupa o Teu Lugar' e 'RetratArte', de Miguel Marques, às 18 horas.
Também às 21 horas, o teatro apresentará o espectáculo 'Este mar de palavras que nos une' de Apanhados com a Boca na Palavra.
As actividades encerram às 20 horas, com o concerto de Valter Lobo e convidados, no palco da Avenida Arriaga.
