O presidente
da Câmara Municipal do Funchal, Pedro Calado, pediu “coragem política e de
espírito reformista” para alterar o sector público em Portugal e constatou “depois
de 48 anos de Democracia e 36 anos a receber fundos comunitários da União Europeia,
estamos cada vez mais pobres e na cauda da Europa”. Uma opinião partilhada na
conferência da SEDES, que decorre esta tarde na Assembleia Legislativa da Madeira.

“Precisamos
de coragem política e de espírito reformista. Caso contrário, continuaremos um
país na cauda da Europa, já que a cada passo que damos para a frente, outros
tantos trilhamos no sentido inverso”, referiu o autarca, que quer “capacidade
reformista em sectores estruturais e essenciais como a justiça, a saúde, a educação,
a segurança interna e as forças armadas”.

Pedro Calado
falou na necessidade de valorização da administração pública e valorização de
carreiras. “A corrida às horas extraordinárias, em especial na função pública, é
uma forma de compensação dos baixos salários e da lenta progressão das
carreiras, subvertendo a lógica do que deveria existir, desvalorizando o que
deveria ser a regra: a meritocracia”, disse o presidente da autarquia, que acha
que “urge reformular todo o sistema de funcionamento público”, “erradicar o
inferno da burocracia, que impede a rápida tomada de decisões e é um grande
entrave ao investimento, não apenas privado, já que também o sector público
padece com este nefasto poder dentro do poder”. Acha também necessário
implementar sistemas de justiça e fiscalidade que “sejam céleres, eficientes e
estáveis”.

Pediu ainda “pactos
governativos” orientados para o médio e o longo prazo, “sem pensar em
clientelas políticas ou empresariais, mas sim no futuro de Portugal e dos seus cidadãos,
operando, para que tal suceda, grandes reformas do sistema, com vantagens
económicas, sociais, fiscais, que sejam realmente duradouras e que façam com
que sejamos um país cada vez menos dependente das conjunturas internacionais”.

Por fim,
apontou duas áreas que classifica como “fundamentais”: a criação de incentivos ao
investimento em investigação e tecnologias que permita gerar riqueza e emprego e
medidas para combater o envelhecimento da população e a baixa natalidade.