O Grupo Disciplinar de Francês da Escola Secundária Jaime Moniz promove amanhã uma palestra sobre "A passagem
do navio francês 'Junon', pelo Funchal, em 1878", que terá com orador Duarte Mendonça, antigo aluno da instituição de ensino secundário. A iniciativa terá lugar na Sala de Conferências Dr. Jorge Moreira de Sousa, a partir das 15h00.

Com a
colaboração de Catarina Correia (Docente de Português); Chloé Silva e Eduarda
Silva (alunas do décimo ano) e Beatriz Quintal (aluna do 11º ano), a delegada do Grupo Disciplinar de Francês, Ana Maria Kauppila, refere que "a mais recente edição da Revista 'Islenha' (n.º 71), inclui um artigo
intitulado 'A passagem pelo arquipélago da Madeira do navio francês Junon',
resultado de um trabalho de investigação do historiador Duarte Mendonça", que possui os graus de Licenciatura e Mestrado, pela Universidade da Madeira.

"Na sinopse que precede o referido artigo, pode ler-se: 'em meados de Agosto de 1878', o 'Junon' aporta à ilha da Madeira, no quadro de 'uma viagem
em redor do globo'. Aos participantes, 'seleto grupo de jovens europeus
(franceses, ingleses, alemães, suíços e polacos), recém-formados' era
apresentado um programa deveras atraente: 'dar a conhecer o mundo e as diversas
culturas'. Esta expedição, simultaneamente educativa e lúdica, resultou de uma
iniciativa da 'Société des Voyages d’Études'. O porto de embarque, Marselha, em
França, marca o início do encontro entre esses jovens, oriundos de diversas
famílias europeias, abastadas. A primeira paragem ocorreu em Gibraltar, porto
de onde rumaram em direção ao Funchal, na Madeira. Já nesta cidade, uma
determinada notícia, relativamente ao Porto Santo, provoca uma reviravolta nos
planos que conduzirá o navio até essa ilha e que contribuirá para atribuir a
esta viagem uma missão que não estava, de início, considerada", escreve na nota de imprensa.

Refere ainda que "a investigação de Duarte Mendonça traz a público uma organização que
poderá ser considerada como um projeto 'proto Erasmus' e ilustra o modo como a
viagem era entendida, em pleno século XIX, no quadro do reforço e complemento
de estudos de natureza cultural e científica".

Assim, "na sua missão de divulgação da
língua, cultura e literatura francesa", o Grupo Disciplinar de Francês, "propôs ao investigador a partilha deste
trabalho com a comunidade educativa, em geral e os alunos de língua francesa,
em particular. Aprender uma língua estrangeira, neste caso o francês, é um modo
de apreender o mundo, de o perceber e de aprofundar a expressão da sua
diversidade, no quadro do diálogo permanente entre as distintas dimensões do
conhecimento", incentiva.

Ainda "de acordo com o artigo citado, a viagem do navio francês 'Junon' deu
origem a uma profusão de escritos, de diversa natureza que a relataram e, por
sua vez, contribuíram para divulgar o arquipélago da Madeira. A representação
da alteridade, no quadro da expedição em causa e dos encontros pela mesma
suscitados, no espaço e no tempo, constitui uma das mais aliciantes dimensões
académicas da designada literatura de viagens. A perceção do Outro, da ilha
imaginada à ilha real, constrói-se numa tela de intertextualidades e
palimpsestos que tece o legado de memórias através do qual o qual nós, hoje,
também viajamos 'ao passado'", acrescenta Ana Maria
Kauppila

Refira-se que sobre Duarte Mendonça diz que é um "investigador nato", que "publicou mais de
uma dezena de livros, assim como inúmeros artigos dispersos por diversas obras,
jornais e revistas regionais e internacionais. Como conferencista, já foi
orador na Madeira, Açores, Lisboa, França e Estados Unidos da América", conclui.