As novas drogas provocaram, ao longo do último ano, um total de 203
internamentos na Casa de Saúde São João de Deus, menos 30 do que em relação a
2021.
Em declarações à TSF-Madeira, Nelson Carvalho também explica
que o número de internamentos compulsivos aumentou ligeiramente no ano passado,
vincando que a reinserção destas pessoas acaba por ser uma tarefa muito
difícil, tendo em conta os danos que estas novas substâncias provocam.
O director da Unidade Operacional de Intervenção nos Comportamentos Aditivos (UCAD) deu o
exemplo concreto de três casos em particular.
A reinserção muitas vezes é difícil porque existe uma
degradação rápida e não só. Este é um fenómeno de ‘porta giratória’. Por
exemplo houve uma situação de três pessoas, nestes internamentos, que já foram
internados mais de 15 vezes, o que demonstra bem que, por mais reinserção que
tenhamos, o impacto das drogas, devido à grande adição que elas provocam, torna
ainda mais difícil a reinserção do próprio indivíduo e a sua motivação.
Nelson Carvalho que justifica também o número de
internamentos compulsivos com o “impacto” destas drogas que geram “episódios
psicóticos agudos caracterizados por alucinações e delírios, nomeadamente
perseguição” que depois “levam o indivíduo a tornar-se mais agressivo e a pôr em
risco a sua vida e a dos outros”.
“Naturalmente” que esta situação apenas consegue ser
revertida “com o internamento compulsivo”, explica o director da UCAD. Numericamente,
em 2021 a Madeira somou 233 internamentos, dos quais 170 foram compulsivos, o
que corresponde a 73%, ao passo que em 2022 procederam-se a 203 internamentos,
sendo 176 compulsivos, ou seja, 86,6%. A média de 'estadia' nestas unidades, por pessoa, ronda os 20 dias.
Demonstra bem a perigosidade e o impacto que estas drogas
têm para o indivíduo em termos do aparecimento de doenças psiquiátricas e de degradação
cognitiva e degenerativa, que é muito grande.
Quanto ao número de mulheres internadas na Casa de Saúde
Câmara Pestana também subiu em 2022. Segundo Nelson Carvalho foram 55 os internamentos verificados no último ano. "Tem havido um aumento e a faixa etária tem sido entre os 30 e os 40 anos", avançou.
O director da UCAD que descreveu ainda o perfil destas
pessoas. "A maior parte é homens que começam a consumir a partir dos 25 anos, mas há uma prevalência entre os 30 e 40 anos. Na maioria são desempregados e ligados ao sector da construção civil, embora haja nas várias profissões. É um perfil completamente diferente do todo nacional e o dos Açores é muito semelhante ao nosso".
