O Largo do Colégio serviu mais uma vez de ponto de concentração do povo ucraniano que, tal como há um ano, por esta hora, se juntou para exteriorizar a angústia vivida pela pátria e pelos que lá se encontravam. Familiares, amigos, desconhecidos, compatriotas.
Agora, o mesmo palco que tantas vezes na história da Madeira se tornou palco de comemorações, manifestações ou lamentações encheu-se parcialmente, no espaço de 365 dias, com a presença de muitos refugiados da guerra, ou melhor, parte dos cerca de 800 que escolheram a Região como porto de abrigo desde que se iniciou o conflito.
Miguel Albuquerque, Rita Andrade ou Pedro Calado foram alguns dos políticas que fizeram questão de marcar presença nesta vigília que se realiza à escala global e à qual a Madeira se associou.
Aliás, o presidente do Governo Regional até comentou, na manhã desta sexta-feira, o futuro deste conflito, que na sua opinião irá se arrastar no tempo.
Pedro Calado apela à paz e à
união dos povos
A mensagem deixada pelo
presidente da Câmara Municipal do Funchal não podia ser mais clara na vigília que decorreu na Praça do
Município e que reuniu cerca de 200 pessoas numa manifestação de
solidariedade para com o povo ucraniano.
No dia em que se assinalou um ano
da invasão russa ao território ucraniano, Pedro Calado realçou “a resiliência,
a capacidade de luta e o sacrifício dos ucranianos”, o que tem sido, na sua
opinião, um factor de união de muitos povos pelo mundo fora.
Pedro Calado reiterou que a
Câmara Municipal do Funchal está de “braços abertos” para receber a comunidade
ucraniana e tudo fará para “proporcionar uma integração plena, algo que desde o
primeiro momento temos nos empenhado, com múltiplas iniciativas de
solidariedade e apoio”.
Comunidade ucraniana "reconhece capacidade de integração na Região"
Quem também recebeu hoje parte da comunidade foi o PSD-Madeira. Das impressões retiradas por social-democrata Marco Teles destaca-se desde logo o facto de, na Região, existir "uma boa capacidade de resposta do ponto de vista do acolhimento e da integração
que apenas esbarra na burocracia e na morosidade dos processos que, estando na
dependência do SEF e, por conseguinte, do Governo da República, acabam por
influenciar, negativamente, o seu quotidiano.
Posições manifestadas em mais um
encontro de trabalho desenvolvido no âmbito do 'Compromisso 2030', desta feita
associado à temática da 'União Europeia e Globalização', no qual participaram
várias gerações de cidadãos ucranianos, desde os que chegaram à Região na
década de 90 até aos que escolheram a Madeira, mais recentemente, para fugir à guerra.
Uma reunião de trabalho que,
conforme explicou o coordenador do 'Compromisso 2030' para esta área, Marco
Teles, “foi muito produtiva e permitiu perceber de que forma é que esta
comunidade tem gerido, à distância, este conflito, bem como as dificuldades que
sentem no seu dia-a-dia, vivendo entre nós”.
É de notar
o reconhecimento que ouvimos à forma como se sentem integrados na nossa
sociedade, embora existam algumas carências às quais seria importante
corresponder para o futuro e que passam, essencialmente, por garantir maior
apoio e informação, designadamente do ponto de vista jurídico, aos cidadãos que
pretendam integrar o mercado de trabalho.
Já no que toca à burocracia
identificada como uma das grandes dificuldades sentidas por esta comunidade, Marco
Teles explica que o processo de obtenção do Estatuto de Protecção Temporário que
salvaguarda os direitos essenciais dentro da União Europeia e que permite, por
exemplo, o acesso à educação, à assistência social e ao mercado de trabalho,
tem gerado alguns transtornos para os quais foram deixados alertas.
A rematar, a comunidade
ucraniana mantém a sua confiança no projecto europeu, apela a que exista maior
apoio militar com vista à resolução mais célere do conflito com a Rússia e
reconheceu, como bastante positivo, o facto de ter sido dada luz verde ao
estatuto de país candidato à União Europeia, embora conscientes de que este
será um processo que levará o seu tempo de concretização.
