Vários participantes manifestaram hoje o seu desagrado
com o prolongamento do período de votação do Orçamento Participativo do Funchal
por parte da Câmara Municipal do Funchal. Uma decisão que consideram “injusta”
e que dizem prejudicar quem esteve durante um mês a trabalhar arduamente para
alcançar os primeiros lugares.

“A votação terminava hoje e foi prolongada por mais 11
dias sem razão que se justifique. Não houve nenhuma informação atempada nesse
sentido e em nenhum dia a plataforma registou anomalias porque acompanhamos o
site e os votos eram sempre contabilizados”, referiu um dos participantes
indignado, acusando a autarquia de favorecer quem não trabalhou para conquistar
votos no período estabelecido desde início.

Contactada pelo DIÁRIO, a CMF garantiu transparência
no processo de votação e explicou que “a decisão decorre de alguns problemas
técnicos decorridos nas duas últimas semanas na plataforma de votação on-line,
que levaram a períodos de inoperacionalidade da mesma”.

Disse ainda que foi contratada uma entidade externa,
com a gestão exclusiva e autónoma da referida plataforma, “por forma a ser
garantido um processo isento, transparente e imparcial, sem qualquer
intervenção por parte da autarquia”.

“As críticas, embora legitimas, não fazem qualquer
sentido, uma vez que os autores dos projectos podem continuar a desenvolver as
suas campanhas de mobilização”, referiu a autarquia, dando conta de que até o
dia de hoje, o Orçamento Participativo do Funchal registou 19 mil votos, o que
significa cerca do triplo das votações anteriores.

“Esta enorme afluência de votantes levou a que
o sistema da plataforma de votação fosse abaixo, impedindo que diversos
cidadãos pudessem exercer o seu direito de voto”, acrescentou.

Adiantou ainda que nos dois anteriores orçamentos
participativos, que decorreram no ano de 2020 e 2016, o número de votantes foi
de 4.228 e 8.480, respectivamente. O número de projectos em votação também
aumentou, passando de 29 em 2020 para 35 em 2023, o que significa um aumento de
21%.