Apesar de ter sido suspenso o primeiro período previsto da greve dos pilotos de barra e
porto (entre as 7 horas de hoje e as 7 horas de quarta-feira), cinco navios cruzeiros tiveram de alterar a sua rota, que tinha como destino o Porto do
Funchal.

Ao DIÁRIO, a presidente da Administração de Portos da
Madeira (APRAM), Paula Cabaço, explicou que estes cinco navios cruzeiro, que representavam a chegada de 10.500 passageiros, deveriam chegar entre hoje e terça-feira. Ainda assim, três deles foram possível reprogramar, o que permite recuperar 78% dos passageiros (8.100 passageiros).

Nós tínhamos previsto cinco
navios entre hoje e amanhã, o que representa 10.500 passageiros e destes cinco
navios conseguimos reprogramar, ainda durante a passada semana, de forma a
evitar o período da greve, três destes. O que permite recuperar 78% dos
passageiros.
— Paula Cabaço

Quanto às escalas que não foram possíveis voltar a marcar,
Paula Cabaço explica que ‘perdemos’ cerca de 2.400 passageiros.

Esclarece que tudo tem sido feito para evitar a greve, contudo explica que a Região tem poderes “muito limitados em termos de actuação”,
isto porque os pilotos reivindicam a antecipação das reformas, um
assunto que diz respeito ao Governo da República. “Da nossa parte temos feito
tudo aquilo que está ao nosso alcance para evitar esta materialização deste
pré-aviso de greve, embora os nossos poderes sejam muito limitados em termos de
actuação, porque o que está em causa tem a ver com a antecipação das reformas. Quem
tem tecido sobre esta matéria é o Governo da República, no entanto temos
acompanhado o assunto”, disse a presidente da APRAM, acrescentando que participou
na semana passada em reuniões no Ministério das Infraestruturas, onde
sensibilizou para a importância da não concretização da greve.

“Tenho tentado sensibilizar todas as partes para a
importância de não se concretizar pelo impacto que tem naturalmente não só no
movimento de mercadorias, mas também na indústria de cruzeiros”
— Paula Cabaço

“Para esta semana, os movimentos da carga estão normais,
portanto estão regularizados com as descargas que estão previstas”, adiantou
a presidente da APRAM relativamente aos navios de mercadoria.

Este primeiro período de greve foi cancelado após a garantia
do ministro das Infraestruturas, João Galamba, em reunir-se esta sexta e
segunda-feira, 10 e 13 de Novembro, com os sindicatos Sindicato dos Capitães,
Oficiais Pilotos, Comissários e Engenheiros da Marinha Mercante – OFICIAISMAR
(FECTRANS) e o Sindicato dos Capitães e Oficiais da Marinha Mercante –
SINCOMAR).

Contudo, os sindicatos mantêm para já, os restantes períodos
de greve já definidos para 14, 22 e 29 de Novembro, por isso “mantém-se uma
certa instabilidade”, disse Paula Cabaço sobre os próximos dias.