O Representante
da República na Madeira, Ireneu Barreto, insurgiu-se contra o valor modesto pago
aos combatentes, através do Suplemento Especial de Pensão, que não ultrapassa
os 170 euros por ano e mostrou-se convicto de que se fosse aprovado um valor
mais digno não representaria nenhum rombo para as contas públicas.

Presidindo
à cerimónia comemorativa do 105.º aniversário do armistício da Grande Guerra,
do 49.º aniversário do fim da guerra do Ultramar e do 100.º aniversário da Liga
dos Combatentes, que ocorreu na manhã deste sábado junto ao monumento do
combatente, na Avenida do Mar, Ireneu Barreto disse que algo haverá ainda por
fazer para melhorar o Estatuto do Combatente.

Enumerou,
assim, o Acréscimo Vitalício de Pensão como o Suplemento Especial de Pensão,
que não ultrapassa os 170 euros – e podem ficar aquém desse montante –, pagos
uma vez por ano no mês de Outubro. “Repito, 170 euros por ano”, sublinhou, para
depois lançar a farpa em tom de repto: “Questiono-me: não seria possível ir
mais longe? Faria isso perigar a estabilidade das finanças públicas? Estou
convencido de que não!”.

Ireneu
Barreto destacou ainda o esforço dos combatentes de hoje, tal como os militares
no activo, que contribuem para a paz e bem social, um pouco por todo o mundo,
mas também na Região, como se verificou nos recentes incêndios.

Nesses momentos difíceis, constatou-se os esforços conjugados de todos, elementos da Proteção Civil, bombeiros, forças de segurança, militares e população civil, para minimizarem os estragos causados pelas chamas. Merecem o nosso sentido e reconhecido obrigado e o desejo para que aqueles que sofreram prejuízos possam em breve superá-los".
— Ireneu Barreto

Assinalando
os três aniversários centrados nos combatentes, destacou a bravura, o cumprimento
do dever destes homens que são merecedores “da nossa sentida homenagem”, enaltecendo
o trabalho do Núcleo do Funchal da Liga dos Combatentes na pessoa do Tenente-Coronel
Bernardino Laureano.

Invocando o
105.º aniversário do Armistício da Grande Guerra, lembrou que a 11 de Novembro
de 1918 cessavam as hostilidades daquela que, nos seus alvores, era
idealisticamente apontada como a guerra que acabaria com todas as guerras. “Sabemos
agora quão ingénua era essa ideia”, observa Ireneu Barreto, concretizando: “Nunca
uma guerra havia sido tão destrutiva e nenhuma outra havia cobrado um tão alto
preço em vidas humanas”.

“De
nada vale fazer a guerra se não se souber fazer a Paz”

Portugal
pagou esse preço, não apenas nos campos da Flandres, nos quais o Corpo
Expedicionário Português combateu, mas nos muitas vezes injustamente esquecidos
cenários de Angola e Moçambique.

“O
Armistício que hoje celebramos acabou por conduzir à Paz assinada
definitivamente em Versalhes, a qual, infelizmente, continha em si a semente de
futuros conflitos”. De tal forma que a Grande Guerra se veio a transformar na
Primeira Guerra Mundial, sendo seguida pela Segunda Guerra Mundial, a qual
ultrapassou em horror o conflito de 1914-1918.

“Num cenário
que muitos julgávamos não ser já possível, os conflitos acesos voltaram ao solo
europeu e aos territórios do Médio Oriente”, salientou Ireneu Barreto,
lembrando que “de nada vale fazer a guerra se não se souber fazer a Paz”.

“E que,
mesmo no mais aceso da guerra, há regras a respeitar e linhas vermelhas que não
podem ser ultrapassadas”, frisando que as Convenções de Genebra e o Estatuto do
Tribunal Penal Internacional são balizas a cumprir.

Penso que assim sentem todos os Combatentes e ex-Combatentes, grupo em que me incluo. São estes que, fazendo a guerra, melhor a conhecem e directamente se expõem aos seus perigos. São, por isso, também os Combatentes quem mais ama a Paz”
— Ireneu Barreto

Voltando-se
novamente para os antigos combatentes madeirenses, Ireneu Barreto disse que não
podemos esquecer que, por mais que a técnica avance, a guerra foi feita – e é
feita – por homens e, crescentemente, por mulheres. “Estes militares podem hoje
– e desde há 100 anos – contar com a sua Liga dos Combatentes, cujo aniversário
também agora assinalamos”.

“Tratando-se
de uma pessoa colectiva de utilidade pública, bastaria atentarmos em alguns dos
seus objetivos, nomeadamente a promoção do amor à Pátria, a defesa
intransigente dos valores morais e históricos de Portugal, ou a promoção do
auxílio mútuo e a defesa dos legítimos interesses dos seus sócios, para a Liga
dos Combatentes já merecer o nosso louvor”, referiu, destacando um pepel em
especial desta agremiação: “é na sua actividade concreta, sobretudo nas
estruturas de apoio médico, psicológico e social, que mais avultam os méritos
da Liga dos Combatentes”, facto que merece “a admiração de todos”.

Ireneu Barreto lembrou
que também agora comemoramos o 49.º aniversário do Fim da Guerra do Ultramar. “Filha
da Revolução do 25 de Abril, a cessação dos conflitos que desde 1961 se
desenrolavam em Angola, Guiné e Moçambique foi uma consequência de um dos três
“Ds” prometidos pelos Capitães de Abril: ‘Descolonizar’”.

Além de uma comemoração, é também um exercício de memória. Relembramos três datas que o inexorável devir da história torna mais longínquas. Cabe-nos a nós, que habitamos este tempo presente, não deixar que esse afastamento se torne em esquecimento"
— Ireneu Barreto