O leque de reacções ao anunciado regresso de Paulo Cafôfo
também se estende a figuras históricas do PS-Madeira, como é o caso do seu fundador. O estado de espírito de Duarte Caldeira não poderia ser mais explícito.

"Aquilo que eu acho é que é bom demais para ser verdade, porque sempre disse ao Paulo Cafôfo para não deixar a liderança do partido e para continuar. Agora, ele tem todo o meu apoio", começa por enfatizar Duarte Caldeira, traçando desde logo uma comparação peculiar com o actual presidente do partido.

Embora eu considere o Sérgio Gonçalves uma pessoa muito competente e séria, falta-lhe o carisma. O Paulo Cafôfo tem carisma. As pessoas conhecem-no e eu, aliás, disse ao Paulo Cafôfo e disse ao Sérgio Gonçalves que o número um da lista do PS, nestas eleições regionais, deveria ser o Sérgio a número um e o Paulo Cafôfo a número dois. Não quiseram e agora parece-me que estão a querer dar-me razão.
— Duarte Caldeira

Duarte Caldeira vai mais longe e até considera que se Paulo Cafôfo não tivesse deixado o partido, o PS-Madeira teria outro resultado no dia 24 de Setembro, possivelmente "arrumando de vez" com o PSD. Por isso, o socialista lamentou a decisão tomada nas autárquicas, em 2021. "Eu sei que é preciso ter feitio, é preciso estômago para aturar uma série bilhardices, mas na hora da demissão faltou-lhe, literalmente, muita calma. O momento era nunca ter saído de líder. Esse é que era o grande momento".

O fundador do PS-Madeira que critica ainda o acordo que sustenta a maioria. "A senhora do PAN, a tal que está a aparar o jogo do PPD, não tem nada de PAN, porque se tivesse nunca faria o que fez. O PAN nada tem a ver com o PPD. Claro que aqui na Madeira deturpa-se tudo. É como chamar social-democratas ao PPD. Eles não são social-democratas", rematou.