O Clube
Automobilístico 100 à Hora da Madeira e a Comissão Organizadora do Rali do
Faial – Santana 2023 vieram hoje, através de um comunicado, dar a sua versão
dos factos que levaram às alterações na prova deste ano, nomeadamente o
encurtamento da mesma com a retirada das duas passagens pelo Kartódromo do
Faial.
Uma situação
que tem gerado muita polémica, nomeadamente nas redes sociais, com vários
agentes da modalidade a se mostrarem contra as mudanças.
Nesse
sentido, o 100 à Hora expressa que “sempre foi missão do Clube trazer mais e
melhor ao desporto em geral e ao automobilismo em particular”, sublinhando que “essa
missão tem permitido introduzir várias inovações no quadro da qualidade dos
eventos, da segurança, do respeito pelo ambiente, da introdução de novas
modalidades de desporto automóvel ou até da sua divulgação. A adoção posterior
por outras coletividades dessas inovações indica que a sua missão está a ser
cumprida”.
Especificamente
sobre o Rali do Faial – Santana 2023 o clube presidido por Emanuel Pereira
esclarece que “foram submetidas três versões da prova aos seus patrocinadores”,
sendo que “a versão que contemplava a introdução de uma nova prova especial
foi, tal como em 2022, rejeitada pelo principal patrocinador do evento devido
ao incremento do apoio implícito”.
Avança ainda
o 100 à Hora que “a realização de uma prova especial, entre elementos de
segurança, autoridades, controladores, serviços de bombeiros e reboques,
utilização de equipamentos e material de informação e demarcação, tem um custo
médio entre os 5.000 e os 10.000 euros”.
Ainda de
acordo com o clube, “as conversações mantidas com o principal patrocinador do
evento, resultaram dois ‘modelos’ de prova e, apesar das advertências da CO
relativas à possível não inclusão do Kartódromo do Faial no programa, essa
entidade decidiu manter o montante de apoio garantido em anteriores edições”,
sublinhando que “os custos associados à organização de uma prova
automobilística, tais como prestação de serviços por Polícia de Segurança
Pública e corporações de bombeiros, compensação atribuída a elementos de segurança,
controladores e comissários técnicos, aluguer de equipamentos, serviços de GPS,
cronometragem e resultados entre outros, cresceram de forma exponencial, tendo
mesmo duplicado nalguns casos, nos últimos anos”.
Perante
isto, reforça o comunicado, “os custos orçamentados e os défices resultantes de
uma receita que não é consentânea, forçaram a CO à redução de custos e à adoção
do ‘modelo’ mais simples e menos oneroso”, acrescentando que “a definição
tardia da prova foi causada pelas inúmeras tentativas do Clube e da CO em não
alterar a estrutura das últimas edições da prova”.
“O ‘modelo’
adotado e submetido a aprovação pela Federação Portuguesa de Automobilismo e
Karting, com a realização de seis provas especiais, tem um custo orçamentado de
€ 41.512,73 e apresenta um balanço orçamental negativo de € 7.253,20”, avança o
Clube Automobilístico 100 à Hora da Madeira, sublinhando que “a adoção da
versão submetida a aprovação pela federação resultou na redução do custo
orçamentado em 17.418,83 e resulta, quase em exclusivo, da não inclusão das
provas especiais do Kartódromo do Faial”.
Em concreto
sobre esta prova especial do Kartódromo, o clube esclarece que “a realização
dessa prova especial obriga à montagem de equipamento de iluminação, aluguer e
disponibilização de sanitários, prestação de serviços de Polícia de Segurança
Pública, aluguer e montagem de equipamentos de som e imagem bem como um maior
número de elementos de segurança”, sendo que “os custos relativos a esta prova
especial e os défices orçamentais dos mesmos resultantes foram excecionalmente
suportados nos últimos anos pelo Clube”.
Alega o 100
à Hora que “o Clube não pode continuar a suportar tais défices, situação que
coloca em perigo a própria coletividade”, acrescentando que “a receita prevista
e orçamentada inclui apoios de entidades públicas, entidades privadas e taxas
de inscrição. Esses montantes cobrem, respetivamente, 35,44, 25,98 e 28,36% do
custo orçamentado”.
“A CO
(Comissão Organizadora) ainda tentou a realização da prova especial na tarde de
sábado mas o adiamento, solicitado pela organização de um evento
automobilístico internacional [ndr. Rally Madeira Legend], numa semana, levam a
que o rali se dispute após a mudança para o horário de inverno e num quadro de
pouca duração de luz solar. A disputa da prova especial do Kartódromo do Faial
é feita com partidas de 4 em 4 minutos e obrigam à inclusão de reagrupamento. A
ocorrência de um qualquer incidente que forçasse a interrupção de um dos troços
cronometrados anteriores levaria a que a passagem pelo Kartódromo do Faial
tivesse que ser cancelada ou se efetuasse já de noite”, avança ainda o
comunicado.
O clube
adianta, ainda, que “sempre pautou a sua postura pelo respeito de todas as
instituições, entidades e pessoas, e da sua imagem, não trazendo à praça
pública problemas que, habitualmente, são resolvidos por outros canais”. No
entanto, neste caso específico, entende ser ser é dever esclarecer:
“O Clube
costuma reunir com os seus patrocinadores e parceiros nos dias que sucedem à
realização das provas e eventos no sentido de estabelecer balanços bem como
definir novas metas e objetivos para futuras edições das suas organizações”,
acrescentando que “essa intenção tem sido conseguida com todos os seus
patrocinadores e parceiros, à exceção de algumas entidades ligadas ou sediadas
na freguesia do Faial. Esse contacto tem sido insistentemente solicitado, sem
sucesso, através de carta, correio eletrónico, mensagens em serviços específicos
ou chamadas telefónicas”.
Para além
disso, vinca, “o défice orçamental de anteriores edições do Rali do Faial –
Santana 2023 surge acrescido pelo não cumprimento e liquidação de apoios
garantidos e acordados com tais entidades. A sua cobrança encontra-se mesmo em
vias de litígio judicial”. Neste contexto, adianta o comunicado, “o Clube
comunicou, em março, a essas mesmas entidades, que nunca se coíbem da exposição
mediática do evento, que o montante da dívida, superior à dezena de milhar de
euros, era uma das que poderiam colocar em causa a realização da prova”,
sustentando que “a utilização do Kartódromo do Faial resulta da parceria do
Clube com o seu proprietário e pela facilitação pelo seu concessionário como
consequência do esforço conjunto num melhor desporto automóvel”.
“A
utilização daquela pista verifica-se há já muitos anos e não é exclusiva de
nenhuma das muitas Direções do Clube Automobilístico 100 à Hora da Madeira e
Associação de Karting da Madeira, Vereações da Câmara Municipal de Santana ou
Comissões Organizadoras da prova, sob várias denominações, que colaboraram
entre si ao longo dos anos para que o circuito fosse cenário de uma das mais
espetaculares provas especiais da Madeira”, sublinha o 100 à Hora.
“O Clube
Automobilístico 100 à Hora da Madeira e a Comissão Organizadora do Rali do
Faial – Santana 2023 estão certos e esperançados no sucesso daquele que será
último evento do Campeonato de Ralis Coral da Madeira deste ano e que no futuro
possam ser encontradas soluções para que o figurino, programa e estrutura da
prova possam ser aqueles desde sempre e há muito ambicionados”, acrescenta o
mesmo comunicado, concluindo: “O Clube Automobilístico 100 à Hora da Madeira
reserva-se também o direito de fazer disputar a prova num outro concelho em que
os apoios reunidos permitam incorporar na mesma toda a qualidade de que é
merecedora”.
