“Um problema dramático, sobretudo
para os doentes insuficientes renais, que se arrasta há muitos anos, (tempo demais),
com graves implicações na sua qualidade de vida, além de constituir um
lamentável exemplo de enorme desrespeito pela sua dignidade, lesivo da sua
auto-estima, quiçá revelador de um desumanismo incompreensível, politicamente
insustentável”. É desta forma que Nuno Morna, da Iniciativa Liberal, vê os
acessos vasculares para hemodiálise na Região.

Recorda que, na Madeira, há muitos doentes insuficientes renais, cuja
sobrevivência e qualidade de vida depende, em larga medida, de um bom acesso e
eficácia dos tratamentos de hemodiálise, quer no Hospital Central (público)
quer nas Unidades que a NephroCare (sistema privado convencionado) dispõe no
Funchal e Machico.

No entanto, garante que “o Hospital Central do Funchal nunca deu uma
boa resposta ao problema dos Acessos Vasculares para Hemodiálise, sendo o
principal responsável por esta triste realidade em que os doentes renais
permanecem indefinidamente com cateteres venosos no pescoço. Por norma, e
segundo a lei, compete-lhe realizar as cirurgias destinadas à construção dos
Acessos Vasculares subcutâneos - Fistula (FAV) ou Pontagem arteriovenosa (PAV)
-, bem como assegurar o seu bom funcionamento, por forma a garantir a eficácia
das sessões de hemodiálise, seja no sector público ou no sector convencionado”.

E acrescenta “para ficar bem claro, no contexto nacional, a Madeira
apresenta um dos piores cenários nesta matéria, sendo um péssimo exemplo, com
dezenas e dezenas de doentes forçados a viver com um cateter venoso central no
pescoço, com todos os inconvenientes, riscos e problemas. Acresce que este
drama acarreta custos mais elevados, uma vez que os cateteres são caros, tem de
ser frequentemente substituídos, e são mais propícios a infecções, além de
ofenderem o património vascular com tromboses, dificultando ainda mais a
possibilidade de sucesso de uma cirurgia para a criação de um acesso vascular
subcutâneo”.

“É urgente que não se desperdice mais tempo com novas promessas,
remendos ou desculpas. O SESARAM nada fez ou faz, há muitos anos, para ver esta
situação resolvida. Urge uma resolução política e operacional efectivamente
capaz de dar resposta ao problema dos Acessos Vasculares dos doentes
insuficientes renais em hemodiálise, desesperados há tempo demais, a sofrer sem
dó nem piedade, com uma qualidade de vida deplorável”, defende Nuno Morna.