Foi na apresentação das boas-vindas
aos novos médicos internos que hoje iniciaram a sua formação no Serviço Regional
de Saúde (SESARAM), que Júlio Nóbrega afirmou que, no futuro, a Madeira poderá
não conseguir absorver todos os médicos que fazem a especialidade na Região,
embora se verifiquem carências de clínicos em especialidades como Ortopedia, Anatomia
Patológica, Anestesiologia e Oftalmologia.

“Em algumas especialidades, nós
neste momento estamos a dar formação que vai ultrapassar a nossa capacidade de
integração no futuro. Ou seja, nós estamos com a preocupação de formar
especialistas para o Mundo e não só para cobrir as nossas necessidades”, referiu
o médico intensivista, que, ao longo da sua intervenção notou, várias vezes,
que o utente deve ser sempre o foco de qualquer médico.

O director clínico do SESARAM não
especificou que especialidades estavam em causa, mas deixou claro que a Madeira
está a “formar especialistas para o Mundo”, realçando que a escolha dos jovens
médicos pela Região vem corroborar o investimento que tem sido feito na
melhoria das condições dadas aos profissionais de saúde, evidenciando, assim, “a
qualidade formativa” do Serviço de Saúde madeirense.

À qualidade do serviço prestado
ao utente/doente, Júlio Nóbrega associa a aposta na investigação e na formação,
nomeadamente as sessões e revisões temáticas ou visitas clínicas que acontecem
diariamente.

Nesse âmbito, disse ser um
aspecto relevante o facto de a Madeira disponibilizar gratuitamente várias
formações que têm carácter obrigatório no percurso formativo dos médicos,
contrariamente ao que acontece no continente, onde, conforme atestou, essas
mesmas formação têm custos elevados. Na sua opinião, esse será mais um factor
decisivo no momento da escolha dos hospitais onde os jovens médicos fazem a sua
formação especializada.

As novas tecnologias, a
digitalização e a Inteligência Artificial não foram esquecidos pelo director
clínico, que reconheceu a importância da “medicina de precisão”, ao mesmo tempo
defendeu que os médicos não podem pedir escusa de responsabilidade, escudando-se
no código deontológicos, em alusão aos problemas verificados em vários
hospitais do país, que tem levado ao encerramento de serviços e de urgências.

Perspetivando os próximos tempos, Júlio Nóbrega assumiu, sem
qualquer estigma, que a Madeira quer ter “o melhor Sistema de Saúde do Mundo”, almejando
ser uma referência internacional em algumas áreas. “O nosso objectivo, a nossa
visão, é quando um doente dos Estados Unidos, na Clínica Mayo, ou na Suécia, no
Karolinska, tem uma doença… há um médico que lhe transmite ‘você tem esta
doença’, e então ele pergunta ‘mas eu gostava de ter uma segunda opinião. Sr.
Dr. diga-me onde é que eu posso ter uma segunda opinião, quero o melhor sítio
do Mundo para ter uma segunda opinião’. E na clínica Mayo ou no Karolinska
dizem ‘vá ao SESARAM’”, referiu Júlio Nóbrega, assegurando que em algumas áreas
isso já acontece.

Pelo mesmo diapasão falou Ana Paula Reis. A responsável pelo Internato Médico na Madeira, ao dizer-se muito satisfeita pela escolha dos jovens médicos pelo SESARAM, destacou as várias apostas formativas que o Serviço de Saúde regional tem levado a cabo, com o objectivo de "proporcionar as melhores condições aos médicos em início de carreira".

Quanto aos jovens médicos que iniciaram hoje o seu percurso formativo no SESARAM, a responsável reconhece-os como "força fulcral" na actividade do serviço de saúde regional, dizendo que está nas suas mãos o futuro das instituições.