O presidente do Partido
Socialista Madeira alertou, hoje, para a "necessidade premente de promover a
renovação da frota pesqueira e de serem criados mais apoios para os pescadores
e armadores da Região." Sérgio Gonçalves, de visita à Festa do Peixe-Espada Preto, que decorre na baía de Câmara de
Lobos, apontou o facto de muitas das embarcações de pesca terem já várias
décadas, se encontrarem obsoletas e não garantirem as condições adequadas de
operacionalidade e de segurança, considerando fundamental que o Governo
Regional dê atenção a esta matéria.
O líder dos socialistas
madeirenses aproveitou para criticar as "prioridades invertidas do Executivo", constatando o facto de não terem sido alocadas quaisquer
verbas do Plano de Recuperação e Resiliência para a valorização e manutenção
desta vertente do sector primário.
O Governo Regional decidiu, num total de 561
milhões de euros, não alocar qualquer montante para nenhum projecto neste
âmbito, mas, paradoxalmente, prepara-se para afundar, desnecessariamente, 175
milhões de euros no prolongamento da Pontinha, quando o sector piscatório
atravessa profundas dificuldades. Os madeirenses, e neste caso particular os pescadores e armadores, não entendem nem aceitam esta opção e esta fixação do Governo PSD/CDS em prosseguir, a todo o custo, com esta política do betão.
O responsável lembrou que o PS tem vindo a apresentar propostas em defesa do sector das
pescas, lamentando que a maioria que suporta o Executivo continue, de "forma
deliberada e irresponsável", a rejeitar todas elas, pelo simples facto de serem
apresentadas pela oposição. “Os interesses dos pescadores são secundarizados
pela arrogância desta maioria em ‘chumbar só porque sim’”, acusou Sérgio
Gonçalves.
Entre
as iniciativas apresentadas pelo PS, a par da necessária renovação da frota, o
líder socialista deu o exemplo do projecto de decreto
legislativo regional que previa a criação de um apoio a pescadores e
associações de pescadores para implementação do projecto cabaz do pescado.
Tratava-se de uma medida que tinha em vista incentivar os circuitos curtos de
comercialização do pescado, através da aproximação entre pescadores e
consumidores e a venda do produto resultante da saída para o mar a um preço
mais justo para todas as partes envolvidas. Mas, à semelhança de muitas outras,
não foi tida em conta.
A construção de arrecadações para que os pescadores de
Câmara de Lobos possam guardar e arrumar os seus materiais e a melhoria das
condições das lotas têm sido temas também levantados pelo PS, que lembra ainda a
"promessa não cumprida" de construção do porto de pesca.

