‘O Futuro das Comunidades’ esteve hoje em debate no Fórum Madeira Global 2022, que juntou mais de 200 congressistas e participantes vindos de todo o mundo.

No final da reunião magna das Comunidades Madeirenses, que decorreu ao longo do dia no Centro de Congressos da Madeira, as conclusões do encontro realçam como "é importante o debate acerca do desenvolvimento e implementação de estratégias", neste âmbito.

Já são conhecidas as conclusões do Fórum Madeira Global 2022, organizado pela Direcção Regional das Comunidades e Cooperação Externa (DRCCE):

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Começamos por
manifestar a nossa satisfação pela retoma do encontro Fórum Madeira Global,
após dois anos de interregno devido à pandemia, neste ano em que se assinalam
45 anos desde o primeiro congresso das comunidades, o Madeiran, que
abriu as portas a várias iniciativas (conselho e congressos) em torno da nossa diáspora
e é contemporâneo do Centro das Comunidades Madeirenses.

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As dinâmicas
ligadas à crescente mobilidade populacional, no mundo cada vez mais globalizado
em que vivemos, trazem grandes desafios aos Estados, no sentido da
reconfiguração e adaptação contínuas à heterogeneidade linguística e cultural
da sua população. Torna-se, por isso, importante o debate acerca do
desenvolvimento e implementação de estratégias e políticas adequadas à boa
gestão da multiculturalidade e da diversidade étnica e linguística das suas
sociedades.

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O Fórum lembra que
o fenómeno das migrações é o principal impulsionador da constituição de
sociedades multiculturais, como é o caso do povo madeirense, e que isso requer
a adoção de novas competências, favorecendo um modelo de acolhimento e integração das pessoas que
escolhem viver na nossa Região, sejam os que retornam à sua terra de origem,
sejam os lusodescendentes, sejam ainda os imigrantes que a adotam para sua
morada, nomeadamente promovendo a
desburocratização e facilitação no acesso aos Serviços Públicos, que muitas
vezes têm processos distintos aos que estão habituados.

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O Fórum considera
salutar os acordos de geminações já efetivados com cidades onde, quer por
motivos históricos, quer pela dimensão da comunidade de emigrantes madeirenses
e seus descendentes, se mantém viva a madeirensidade, através do movimento
associativo e da manutençao das festividades típicas. O Fórum insta o Governo
para que seja feito um mapeamento da Rede de madeirenses no mundo.

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O Fórum releva a importância
fundamental do ensino da língua e da cultura portuguesa nas comunidades
emigrantes, por forma a garantir uma maior e mais profunda ligação à Ilha e ao
país, objetivo para o qual o Instituto de Camões está incumbido de competências próprias. Insta-se este Instituto a reforçar, a tornar
mais proactivo e visível o trabalho de consolidação do idioma de Pessoa e
Tolentino Mendonça como segunda lingua das gerações de lusodescendentes ávidos
de manter o vínculo à terra de origem dos seus pais e avós. Por outro lado, na
Madeira, é importante continuar o trabalho de disponibilização de cursos de
lingua portuguesa, bem como acautelar um reforço do acompanhamento aos alunos
que ingressam nas escolas da Região e que não têm o português como língua
materna (exemplo: lusodescendentes vindos da Venezuela ou África do Sul), de
modo a tornar a sua integração mais célere e eficaz.

• Neste mundo
cada vez mais próximo e digitalizado, e em que a Madeira se preparou para ter
as ferramentas necessárias para enfrentar o desafio da proximidade digital, é
tempo de perceber como conciliar e rentabilizar o enorme ativo que é a nossa
diáspora, conjugado com este novo contexto em que há um enorme conjunto de
atividades que podem ser realizadas em qualquer parte do mundo, facultando
assim a criação ou
manutenção de laços na comunidade, independentemente do país onde se esteja a
viver.

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Não sendo estranhas
as queixas que existem relativamente ao acesso aos consulados, o Fórum faz um
apelo para que haja um reforço dos serviços consulares de modo a dar resposta
aos nossos concidadãos, lembrando que situações há em que o crescimento do
volume de entradas de emigrantes portugueses, no geral, e madeirenses, em
particular – no caso do Reino Unido, por exemplo – trouxe grande pressão aos
serviços que, naturalmente, não estavam preparados e que, por isso, devem
passar por um reajustamento no que toca aos recursos humanos. Muitos dos nossos
emigrantes acabam, por esse motivo, por recorrer à sua terra de origem.

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O Fórum insiste na
necessidade de se avançar com o reconhecimento, a validação e a certificação
das competências académicas e profissionais dos imigrantes e/ou retornados
qualificados que procuram na Região dar continuidade aos seus estudos ou
ingressar no mercado de trabalho. Reconhece este Fórum que a Região poderá
beneficiar da inserção de pessoas qualificadas em áreas em que, manifestamente,
existe carência, como a Saúde.

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Foram enaltecidos
os investimentos que os emigrantes encetaram e mantiveram na Região, alguns
deles de grande magnitude, mesmo em tempos difíceis como foi este período de
pandemia.

No sentido
de procurar atrair um maior volume de negócios, este Fórum revelou a
importância da criação de mecanismos de apoio aos emigrantes e
lusodescendentes que possam e queiram vir investir ou alargar a sua atividade
económica na Madeira:

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Vamos
continuar a insistir junto do Governo para reduzir a burocracia nos processos
do Apoio Social para Idosos Carenciados e do Apoio Social para Emigrantes
Carenciados.

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Como também vamos
continuar a defender os lesados do BANIF e do BES e exigir o cumprimento das
promessas feitas pelo Primeiro Ministro.

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Ainda no capítulo
das reinvindicações, o Fórum demonstrou a sua incompreensão pela demissão que a
companhia de bandeira nacional – TAP, de capitais maioritariamente públicos,
tem assumido na sua missão de "ponte" para com o Portugal que vive
noutras partes do mundo, para com os cidadãos que conferem profundidade ao
nosso país, bem como a descriminação negativa que enfrentam os portugueses das
Regiões Autónomas, excluídos que estão da medida de emprego do Programa
Regressar.

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Foi unânime a
preocupação sobre a participação dos emigrantes nas eleições legislativas
regionais, optimizando um consenso juridico-constitucional, bem como mecanismos
logísticos por forma a concretizar a realização de um sufrágio que eleja
representantes de um circulo das comunidades.