Começa amanhã o Festival Gastronómico 'Madeira Saborea, a
journey through taste', organizado pela Secretaria Regional de Turismo e
Cultura.

O evento decorrerá na Praça do Povo, no Funchal, até ao
próximo domingo, com a cozinha associada a diversas rotas gastronómicas,
concretamente do cuscuz, do chícharo, dos mariscos e moluscos, do peixe, da
doçaria conventual, da fruta, dos tubérculos e do pão. Além dos stands onde
estarão a ser comercializados os produtos das rotas, haverá um outro com vinhos
e bebidas regionais.

O Festival insere-se no projeto Saborea, cofinanciado pelo
Programa de Cooperação Territorial INTERREG MAC. É liderado pelo Cabildo de
Lanzarote e tem como área abrangente a Madeira, os Açores, Canárias, Cabo
Verde, o Senegal e a Mauritânia. Na Madeira, além Secretaria Regional de
Turismo e Cultura, através da DRT - Direção Regional do Turismo, integram a
ACIF - Associação Comercial e Industrial do Funchal, a UMa - Universidade da
Madeira, a APCA - Agência de Promoção da Cultura Atlântica e a ACAPORAMA-
Associação das Casas do Povo da Região Autónoma da Madeira como parceiros
regionais e responsáveis pelas várias iniciativas que também acontecem neste
festival.

O Secretário Regional de Turismo e Cultura, Eduardo Jesus,
releva a importância do evento pelo resultado que traduz de um trabalho
conjunto de vários países e regiões da Macaronésia e igualmente de todas as
entidades envolvidas.

Para além disso, o governante realça o seu contributo para
“o enriquecimento da oferta de eventos que a Madeira dispõe ao longo de todo o
ano, de uma forma muito variada e complementar”.

O objetivo do projeto Saborea - iniciado em 2019 e a
concluir este ano - visa traçar um Plano Diretor para posicionar a Macaronésia
como destino gastronómico, gerando impacto positivo a nível económico,
ambiental e social. Desta forma, pretende recuperar, reavivar e promover os
laços gastronómicos e culturais do espaço Atlântico MAC, como a origem dos
pratos, dos produtos e das técnicas.

Na prática, o intercâmbio de conhecimentos permitirá gerar
uma cozinha Atlântica própria, com um núcleo central partilhado, fomentará as
relações entre as entidades e os profissionais, e, enriquecerá a gastronomia.

Em relação às rotas gastronómicas, as entidades convidadas
que irão representar cada uma delas são: Rota do Cuscuz, Chef Filipe Janeiro;
Rota do Chícharo, Casa do Povo da Quinta Grande; Rota dos Mariscos e dos
Moluscos, Tasquinha do Pescador; Rota do Peixe, Casinha das Sandes; Rota da
Doçaria Conventual, A Confeitaria; Rota da Fruta, Pedro Silva; Rota dos
Tubérculos, Chef Yves Gautier; e Rota do Pão, Casinha do Bolo do Caco.

Conversas Saborea

Referir ainda outras iniciativas a realizar no âmbito do
festival, concretamente as “Conversas Saborea” e as “Experiências
Gastronómicas”.

As “Conversas Saborea” são constituídas por dois painéis de
convidados relacionados com a gastronomia e o turismo.

A primeira conversa acontece no dia de abertura, dia 15 de
julho, pelas 16h30. Terá como tema: “O novo Turista e as experiências
gastronómicas”. Moderado por Sara Marote, diretora executiva da Associação de
Promoção da Madeira, conta com os seguintes participantes: António Trindade
(Grupo PortoBay), Ciriaco Campus (Belmond Reid´s Palace), Octávio Freitas
(Socalco) e Kátia Carvalho (Prima Caju).

No sábado, dia 16 de julho, às 16h30, decorrerá a segunda
conversa, com o tema: “A Gastronomia Sustentável”, e será moderada por Paulo
Santos, Diretor Regional de Agricultura.

Estarão presentes o Chef Yves Gautier, Júlio Pereira
(Kampo), Bruno Sousa (Universidade da Madeira) e Cláudia Sá (Direção Regional
do Ambiente e Alterações Climáticas).

Em relação à Experiências Gastronómicas, estão programadas
quatro: 6.ª feira às 18h30 com a Rota do Chícharo (Chef Carlos Azevedo),
sábado às 18h30, a Rota do Peixe (Chef Júlio Pereira), domingo às 16h30 a Rota
do Pão (Filipe Cunha) e às 18h30 a Rota dos Tubérculos (Chef Yves Gautier).

Durante os três dias do Festival gastronómico “Madeira
Saborea, a journey through taste”, que decorrerá de 6.ª feira a domingo entre
as 16 e as 24 horas, haverá ainda animação musical culminando com música ao
vivo a partir das 21h45.

As rotas presentes

Rota do Cuscuz

O cuscuz é um produto muito versátil na Região Autónoma da
Madeira e atualmente com muita procura.

Constitui um dos pratos mais ancestrais da nossa história,
introduzido no tempo do povoamento.

Curiosamente, a prática de fazer cuscuz artesanalmente ainda
se verifica em algumas partes da Madeira, ganhando cada vez mais destaque.

Rota do Chícharo

O chícharo é uma leguminosa que foi muito cultivada na ilha
do Porto Santo, onde existem variadas receitas para o seu consumo.

Nos últimos anos, tem sido feita uma recuperação deste
produto em ambas as ilhas da Madeira e do Porto Santo.

Desta forma, a Rota do chícharo vem contribuir para o seu
ressurgimento.

Rota dos Mariscos e dos Moluscos

Estamos perante uma rota com produtos de diferenciação, como
as lapas, os caramujos e caranguejos.

É uma combinação de gastronomia, cultura, biodiversidade e
do domínio costeiro como paisagem.

Rota do Peixe

O mar oferece uma grande variedade de peixes.

Incluindo produtos e pratos da região numa única rota, como
o atum, a espada-preta, o gaiado seco, entre outros, criará um conjunto mais
amplo e rico ligado à história das pescas, das conserveiras, e a um vasto
património que existe na RAM.

Rota da Doçaria Conventual

A doçaria madeirense está ligada ao cultivo da cana sacarina
que, a pouco e pouco, especializa-se nos ambientes conventuais, sendo imensa a
sua variedade.

Neste âmbito, temos como herança da doçaria conventual a
identidade do bolo de mel.

Há aqui um potencial enorme de redescoberta e recuperação de
receitas que tiveram fama pelo mundo inteiro.

Rota da Fruta

Esta rota é essencial pela grande variedade de frutas
existentes na RAM.

Segundo o Catálogo Nacional de Espécies, a ilha da Madeira
tem 28 variedades tradicionais e 10 espécies fruteiras.

Há quem considera que seja dos produtos que trazem mais
criatividade à cozinha regional, incorporando sabor e cor aos pratos
principais, às sobremesas, aos doces e às bebidas tradicionais.

Rota dos Tubérculos

Dos inúmeros produtos que constituem a gastronomia
tradicional da região, os tubérculos afirmam- se rapidamente na dieta
alimentar. A batata-doce, a batata e as várias variedades de inhame ainda
persistem na mesa madeirense.

Rota do Pão

Esta rota foi criada para a divulgação do imenso valor deste
património cultural e gastronómico regional. Visa, por isso, dar a conhecer as
diversas variedades existentes, o modo de produção, os utensílios e materiais,
as receitas e os territórios que se associam, intimamente ligados à importância
e disseminação das actividades agrícolas nas ilhas da Madeira e Porto Santo.