O
Funchal amanheceu neste domingo coberto com uma camada de nevoeiro apenas em
zonas de baixa altitude. Para quem viu o dia chegar a partir das cotas médias e
altas, parecia que a baixa da cidade tinha desaparecido num manto branco. O fenómeno,
não sendo inédito, é raro e foi registado em imagens por muitos cidadãos, que
as partilharam nas redes sociais (ver as várias fotografias em anexo).
O
director da delegação da Madeira do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Victor
Prior, fez a descrição técnica das condições que estiveram na origem deste
fenómeno. Assim, ontem (sábado) a partir do início da noite e até ao fim da
madrugada, registaram-se valores altos da humidade relativa do ar na zona do
Funchal – a rondar os 90% de humidade tanto no Observatório (Lazareto) como na
Cancela e no Lido. O arrefecimento que se registou durante a noite - cerca de 2°C
no Observatório e 5°C na Cancela - e os ventos muito fracos ou mesmo calma, em
geral inferiores a 2 km/h, favoreceram a formação de neblina ou nevoeiro na
camada mais superficial, até cerca de 200 metros de altitude, valor a que se
encontrava a base da primeira inversão da temperatura do ar às 07h00 da manhã.
Em
resumo, o nevoeiro que se formou esteve associado à conjugação de vários factores
que são favoráveis à formação de neblina ou nevoeiro: humidade relativa alta,
suficiente arrefecimento do ar, vento muito fraco e ainda a contribuição da
diferença da temperatura do mar (22 °C) e do ar durante o período nocturno.
Atendendo ao nível a que se encontrava a base da inversão, a espessura da
neblina não terá ultrapassado cerca de 200 metros de altitude.





