Boa noite!

Miami é assumidamente o destino preferido dos líderes dos
partidos que na Madeira sustentam o poder. Depois de Albuquerque ter ido uns dias afirmar
a atractividade da Região no domínio das criptomoedas, Rui Barreto investiu uma
semana para participar numa feira de
cruzeiros num país onde só se fala inglês, o que é um problema para o
governante, a menos que Paula Cabaço tenha servido de tradutora.

Com tanto trabalho por fazer na ilha, isto de dar asas internacionais à imaginação com o dinheiro público tem muito
que se lhe diga, mesmo que ao abrigo do sigilo negocial. Mas para o ano seremos
bem capazes de ler algures que a retoma em larga escala das operações de
cruzeiros no Porto do Funchal tem o dedo americano do secretário da Economia. Convém
tomar nota desde já que nestes dias intensos da Seatrade Cruise Global foi dito
pelos entendidos mundiais que à medida que o sector vai retomando as operações,
espera-se que o volume de passageiros recupere e que, até ao final de 2023,
ultrapasse os níveis de 2019, prevendo-se que, até ao final de 2026, o volume
de passageiros venha a ultrapassar em 12% os níveis pré-pandémicos. Aliás,
foram conhecidas conclusões do inquérito realizado ao consumidor, que demonstra
que a apetência pelas viagens de cruzeiro voltou a crescer. De acordo com os
dados, 63% dos viajantes ou potenciais viajantes consideram ser "muito
provável" ou "provável" virem a fazer uma viagem de cruzeiro nos
próximos dois anos. Ou seja, se os navios vierem em força sabe-se bem qual é o
motivo.

Nota de rodapé: Enquanto Miami e os arredores americanos –
consta que as Sociedades de Desenvolvimento foram a uma feira no Brasil
promover o parque Temático de Santana e o Director das Comunidades está em
Caracas a promover o Kartódromo do Faial - se afirmam no roteiro ocioso dos
governantes madeirenses, quando toda a gente esperava que viessem charters da
Florida, o executivo madeirense resolve atribuir hoje dois louvores. Chegamos a
acreditar que a legião de assessores, depois de ler o ‘Boa Noite’ de ontem,
tivesse sido boa conselheira. Mas não. O título europeu de Henrique Araújo continua
a ser ignorado, mantendo-se assim uma confrangedora dualidade de critérios. Se
tem dúvidas vá ao Jornal Oficial, que agora é de acesso gratuito e está cheio
de resoluções com reconhecimentos imediatos por feitos bem menos vistosos.