O presidente da Câmara Municipal do
Funchal (CMF), Pedro Calado, admitiu, esta manhã, na sessão da Assembleia
Municipal, que o projecto de candidatura do Funchal a Capital Europeia da
Cultura em 2027 tinha falhas e que “foi elaborado mais para fins eleitorais e
muito pouco para fins culturais”.
O autarca descreveu que quando tomou
posse, o documento de candidatura já
estava concluído e que o seu executivo “não quis mexer numa virgula no trabalho
do anterior executivo”, para evitar ser acusado de desvirtuar o projecto. Pedro
Calado observou depois que “o anterior executivo pagou 100 mil euros a uma
empresa” por tal documento e que a sua equipa “estranhou que não estava previsto nesse processo
a apresentação” da candidatura ao júri. Por isso, a actual vereação foi obrigada “a pagar
à parte à empresa” para fazer essa apresentação, bem como a regularizar uma “dívida
de 13 mil euros ao júri”.
O resultado final foi o chumbo pelo júri da candidatura
do Funchal a Capital Europeia da Cultura 2027 e sobre isso o presidente da Câmara
foi cáustico: “Depois de 2 anos de ter sido feita uma grande bandeira com o
apoio à cultura, afinal o grande apoio à cultura não passava de um mero documento,
elaborado mais para fins eleitorais e muito pouco para fins culturais e o
resultado foi aquele que nós vimos”.
Na sequência destas críticas, a ex-vereadora
e actual deputada municipal Madalena Nunes (PS) declarou que, apesar da
exclusão da candidatura do Funchal, tem “muito orgulho” no projecto, pois
permitiu delinear um plano estratégico para a cultura no município num
horizonte de 10 anos. “Não considero que tenha havido erros por termos ficado
de fora. O município de Oeiras também ficou de fora”, concluiu.

