Centenas de pessoas marcharam terça-feira em Caracas para assinalar o Dia Internacional da Mulher, em apoio ao Presidente Nicolás Maduro e contra a ingerência estrangeira nos assuntos internos da Venezuela.

Ao mesmo tempo, a a ONG Foro Penal (FP) apelou ao Governo venezuelano a libertar 14 mulheres que estão presas por motivos políticos.

Dirigidas pela ministra da Mulher e Igualdade de Género, Diva Gusmán, as mulheres (e entre elas alguns homens) concentraram-se na Plaza Morelos partindo depois até à Assembleia Nacional (ambas localidades no centro de Caracas, a 2,5 quilómetros de distância).

"Bastantes ovários há aqui", "Parto humanizado", "Socialismo feminista", "Em defesa do que é nosso" e a "Venezuela tem com o que (avançar)" e "Comprometidos com Hugo Chávez (presidiu o país entre 1999 e 2013), eram algumas das mensagens que exibiam nos cartazes que apelavam ainda à igualdade de género.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, usou o Twitter para enviar um abraço às "mulheres líderes da pátria", sublinhando que "são o pilar fundamental do processo revolucionário e as protagonistas da vida social do país".

"A Revolução continuará a garantir a vossa proteção e os vossos direitos fundamentais. Eu abraço-vos!", escreveu o governante.

Através de um áudio divulgado pelas redes sociais, a ministra da Mulher e Igualdade de Género, Diva Gusmán, recordou que antes as mulheres quando saíam em defesa dos seus direitos "eram assassinadas", sublinhando que as venezuelanas hoje "participam, têm oportunidades e liberdade" para continuar essa defesa.

Por outro lado, a ONG Foro Penal (FP) divulgou, no Twitter, o nome de 14 mulheres que estão presas na Venezuela, por motivos políticos.

"Hoje, Dia Internacional da Mulher, exigimos a libertação de 14 presas políticas na Venezuela, todas com prisão preventiva indefinida, sem julgamento", escreveu Alfredo Romero, presidente do FP.

Na mesma rede social o FP divulgou o nome das mulheres presas por motivos políticos sublinhando que, uma delas, Emirlendris Benítez está detida preventivamente há 3 anos, apesar de denúncias de que foi torturada e "abortou, devido ao maltrato" de que teria sido vítima.

Em declarações aos jornalistas, a ativista social Griselda Reyes, do Comité de Mulheres Líderes das Américas, denunciou que mais de 200 mulheres venezuelanas foram assassinadas em 2021 e que "as mulheres (venezuelanas) estão profundamente sobrecarregadas pela violência e pela pobreza".

"Apesar do boom petrolífero do nosso país no passado recente, hoje nove em cada dez lares chefiados por uma mãe solteira estão em situação de pobreza", disse, sublinhando que são necessárias "políticas económicas sérias" porque os "subsídios e esmolas populistas não solucionam" o problema.