Numa altura em que as atenções estão
centradas no conflito que opõe a Rússia à Ucrânia, José Manuel Rodrigues vincou
que “as mulheres têm, seguramente, um papel importante a desempenhar na
dinamização de uma cultura de Paz que começa na família, passa pela educação,
afirma-se no trabalho e ganha uma nova força na cidadania feminina”.

As
declarações do Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (ALRAM), foram proferidas na abertura da conferência “As Mulheres, A Paz e a
Segurança”, promovida pela ALRAM e pelo Comando
Operacional da Madeira, no âmbito do Parlamento Com Causas.

De acordo com uma nota de imprensa da ALRAM, José Manuel Rodrigues destacou ainda o papel preponderante que as “mulheres estão a ter na frente de
batalha e, sobretudo na retaguarda, cuidando de idosos e de crianças. Mulheres
russas ou ucranianas, elas são o rosto do sofrimento e do desespero”, vincou.

A conferência, inserida no Dia
internacional da Mulher, teve por base a Resolução 1325 do Conselho de
Segurança das Nações Unidas, aprovada no ano 2000. Foi a primeira resolução a
realçar a participação plena e igualitária das mulheres como agentes em todas
as fases e níveis da resolução de conflitos, e a promover a incorporação de
perspetivas de género em todos os esforços de Paz e segurança.

Nos últimos 20 anos, tanto as
organizações de segurança internacionais, como os países, a nível individual,
têm desenvolvido um conjunto de instrumentos e medidas para implementar essa
agenda. Nos países onde não existe conflito armado, como é o caso de Portugal,
implementaram-se estratégias, denominadas Planos Nacionais de Ação 1325,
largamente consagradas nas políticas nacionais no âmbito da igualdade de
género, de forma transversal em todos os domínios da atividade política,
incluindo no sistema educativo.

Por outro lado, o Plano aborda o
empoderamento das mulheres, fundamental para a promoção de uma cultura de Paz
em todos os seus âmbitos: educação, sustentabilidade e desenvolvimento
económico, direitos humanos e igualdade e participação democrática a todos os
níveis.

Foi precisamente para falar do
empoderamento das mulheres que o Comando Operacional da Madeira convidou a
Vice-Reitora da Universidade da Madeira. Elsa Fernandes revelou experiências de
vida e falou da importância do ensino no desenvolvimento social e pessoal. Um
dos desafios é “fazer com que as pessoas aprendam para se tornarem empoderadas,
porque a educação é uma forma de empoderamento”, reforçou a Professora
especialista em didática Matemática.

Verónica Barros, ex-militar, foi
outro dos testemunhos da importância das mulheres em todos os setores,
incluindo no exército. Em 2018, e durante um ano, foi voluntária no Iraque,
dando formação aos militares iraquianos.

Quirino Martins, assessor de género
das Forças Armadas, revelou que as mulheres continuam a ser uma minora nos
meios militares portugueses. É na Força Aérea onde se nota mais a presença
feminina, ainda assim representam apenas 18% dos militares neste ramo das
Forças Armadas. “Em zonas de conflito ou de crise as mulheres são muito
importantes para aceder às mulheres locais”, exemplificou.