"A nomeação de um madeirense para uma Secretaria de
Estado é, num governo português, bastante positiva para a própria imagem da Região". Essa é a convicção de Liliana Rodrigues, Investigadora e antiga eurodeputada socialista.
A comentadora do programa 'Primeira Mão' da TSF considera que "o que o ex-líder do PS-M ganha em visibilidade nacional também ganha em responsabilidade para com a Região". Daí entender que estão agora criadas todas as condições para que as
reivindicações da Região sejam realizadas, nomeadamente a vinda do ferry para a
Madeira, a redução do IVA, a resolução dívida da Madeira, as questões de
mobilidade e a Lei das Finanças Regionais.
PS valoriza mais os madeirenses
“Um
elemento desta Região na República é sempre, um motivo de regozijo”,
considera por seu lado Sara Madalena. Mas também motiva leitura política. O
facto de Paulo Cafôfo ser nomeado
Secretário das Comunidades no novo Governo da República é, independentemente do
mais, “um sinal de que os governos PS relevam mais a importância das
personalidades políticas madeirenses que aqueles do PSD, o que não deixa de ser
curioso visto todos os Governos Regionais desde a implantação da Autonomia
serem desta força política”.
Sara Madalena lembra que foi Miguel Silva Gouveia a
vaticinar a escolha, no ‘Debate da semana? da TSF, quando indicou Paulo Cafofo
como personalidade adequada, segundo o mesmo, para o cargo para o qual haveria
de ser nomeado.
Contudo, julga ser surpreendente que Cafôfo tenha aceite o desafio, tendo em consideração o
anúncio da retirada da vida política ativa aquando da sua demissão em
consequência dos resultados das eleições autárquicas. "Só confirma o que sempre
consideramos: que se tratou duma precipitação com imediato arrependimento, que
se veio a constatar nos tempos subsequentes. Paulo Cafôfo não quis, de facto,
abandonar a vida política. E não abandonou", refere.
Neste contexto, lança afirmações e trocas de acusações recentes,
plasmadas, por exemplo, na entrevista que concedeu ao DIÁRIO e que levantaram "um burburinho
desnecessário, parcos dias após a eleição de Sérgio Gonçalves para a liderança
do Partido Socialista" e que na sua óptica, suscitam outras questões: "Será este um “exílio dourado” no
sentido de apaziguar as hostes socialistas regionais? Será retribuição pelo
melhor resultado alguma vez obtido pelo PS em eleições legislativas regionais,
em 2019? Ou um introito ao regresso de Paulo Cafofo como candidato à
Presidência do Governo Regional em 2023?
Julga que com Paulo Cafofo nada é previsível, "pelo que resta esperar e desejar os maiores sucessos na nova incumbência".
Uma espécie de 'prémio de consolação'?
Para Francisco Gomes, a nomeação de
um madeirense para uma posição no governo da República “gera sempre a
expectativa de que as idiossincrasias políticas que são específicas da Região
estarão mais fortemente representadas junto do poder central”. Daí julgar que Paulo Cafofo, caso consiga cumprir
esse papel, “deve sensibilizar o governo de António Costa para a necessidade de
retomar o diálogo com a Madeira e de resolver os muitos assuntos pendentes,
então a sua nomeação é cargo de felicidade para todos nós”.
Porém, deixa um reparo. “Pelo curto
percurso público que Paulo Cafofo trilhou até o momento, pelo seu modesto
currículo político e académico (quando comparado com outras figuras que têm
desempenhado cargos nacionais) e pelas várias derrotas eleitorais que acumulou
como líder do PS-Madeira, existem razões suficientes para questionar se ele
terá a capacidade para cumprir, com sentido de Estado, as responsabilidades que
agora recaem sobre os seus ombros ou se, pelo contrário, estamos apenas perante
uma espécie de 'prémio de consolação' que cai no colo de uma pessoa que afirmou
publicamente que estava afastado da política".
Também considera que a nomeação de Paulo
Cafofo não deixa de ser "um irónico problema para Sérgio Gonçalves, pois
confirma que o recentemente-eleito líder do PS-Madeira não é - e dificilmente
será - a principal voz dentro dos socialistas da Madeira". E observa: "Se havia quem já o
colocasse em segundo plano face a outras figuras do partido, como, por exemplo,
Carlos Pereira, cujo domínio técnico como deputado nacional fala por si, a
nomeação de Cafofo para secretário de Estado relega Sérgio Gonçalves para uma
espécie de 'terceiro lugar' na hierarquia partidária e deixa antever uma
liderança pouco tranquila e, possivelmente, curta. Aliás, a entrevista
recentemente dada por Paulo Cafofo ao 'Diário de Notícias' e a facilidade com
que criticou, em tons especialmente fortes, alguns dos seus colegas de partido
demonstram que o novo secretário de Estado não se sente minimamente
condicionado no que diz e no que faz, o que certamente coloca o líder do
PS-Madeira numa posição deveras complicada e até embaraçosa".