O Marítimo leva a efeito este fim-de-semana uma iniciativa solidária com o povo ucraniano.
"Com esta
recolha, e com o seu contributo, faremos chegar bens de primeira necessidade a
instituições que lidam, directamente, com refugiados ucranianos. Gente que
continua a querer acreditar que o Bem é uma necessidade. Porque a paz é uma
urgência", pode ler-se na mensagem colocada no site e nas redes sociais do clube, bem como no comunicado enviado à imprensa.

" 'Cantinho do
céu'. Enraizou-se no imaginário colectivo dos madeirenses essa expressão que
define a Madeira. Um espaço de redenção que a Beleza da terra justifica, mas a
dimensão da nossa Diáspora diz outra coisa: que não há espaço para todos no
“cantinho do céu”. As primeiras décadas do século XX assistiram à debandada de
muitos milhares de madeirenses. Nunca – ou quase nunca – por mera vontade de ir
ver o Mundo. Sempre – ou quase sempre – por imperativos de sobrevivência.
Saímos de casa, saímos da ilha, saímos do país. Desbravámos mares para combater
males. Os males da precariedade, da escassez. E nunca nos rendemos, nunca
erguemos a bandeira branca. Pelo contrário. Persistimos. Quem partiu, persistiu
como Madeirense que não vai dormir em casa hoje. Talvez amanhã. Porque amanhã
também é dia, desde que persistamos na crença de que amanhã não é só promessa
do calendário.
A odisseia é
o tempo que demora o regresso. Entretanto, o Mundo acolheu-nos. Acolheu-nos
bem, mas nunca foi fácil. Temos comunidades Madeirenses em todos os
continentes. Consolidadas, respeitadas, valorizadas. Adaptámo-nos, mas soubemos
valorizar a mão que nos deram. Muitos dos nossos emigrantes partiram devido às
guerras mundiais. Se bem que a Madeira até tenha sido alvo de um submarino na I
Guerra Mundial, não sabemos o que é dormir noite após noite com a mira de um
míssil no telhado. Sabemos, sim, o que é a guerra, povo que perdeu tantos
filhos da terra no Ultramar. Mas não sabemos o que é a guerra em casa. E que
nunca saibamos.
Hoje, do
nosso “cantinho do céu” assistimos ao inferno da guerra, à agonia de quem vive
o horror ao relento. Porque em qualquer cantinho daqueles céus pode aparecer a
devastação, a ruína, a tragédia. A morte. O povo ucraniano foge, procura
abrigo, procura quem lhes dê a mão. O Club Sport Marítimo, que nasceu de um
povo moldado nas agruras do mar alto, do calhau e da montanha agreste, não
falta à chamada. Ajude-nos a ajudar. Com esta recolha, e com o seu contributo,
faremos chegar bens de primeira necessidade a instituições que lidam,
directamente, com refugiados ucranianos. Gente que continua a querer acreditar
que o Bem é uma necessidade. Porque a paz é uma urgência".
De referir que os bens poderão ser entregues na Loja Nike, no Estádio do Marítimo, durante o fim-de-semana, nomeadamente no sábado, entre as 10 e as 14 horas e no domingo, no dia do jogo entre Marítimo e vitória de Guimarães, entre as 10 e as 16h30.

