Um antigo funcionário da ‘Horários do Funchal’, de 67 anos, confessou,
esta manhã, em tribunal, o desvio de pelo menos 131 mil euros de receitas de
passeios turísticos com autocarros da Carristur e manifestou-se “muito
arrependido” da sua conduta. J. Correia, que até tinha um vencimento acima da média, a rondar os 2.500 euros, não justificou o que fez ao dinheiro. A
assunção de culpas por parte do arguido abreviou a primeira sessão do julgamento,
que teve lugar no Juízo Central Criminal do Funchal (Edifício 2000).

Perante o colectivo de juízas presidido por Fernanda Sequeira, o
arguido, que era coordenador operacional dos passeios de autocarros turísticos da
parceria HF/Carristur, admitiu que foi “provavelmente em 2006” que começou a
retirar dinheiro das receitas e que manteve tal prática até ser descoberto pelos
serviços da ‘Horários do Funchal’ em Maio de 2009. Nessa altura, saiu da
Madeira e foi viver para Inglaterra. Manteve-se contumaz até 2019 e só foi localizado
porque, na sequência ao Brexit, começou a tratar do seu regresso à Madeira.
Mantendo-se ainda em Londres, tratou de regularizou os seus documentos, que se
encontravam caducados, e meteu um processo de insolvência no tribunal do
Funchal. Foi no âmbito deste último processo que o juiz Filipe Câmara teve
conhecimento da morada do contumaz e ordenou a sua notificação da acusação
pendente pelo crime de abuso de confiança.

Nas alegações finais, tanto o procurador da República como as advogadas
da HF e da Carristur não pediram uma pena efectiva, tendo realçado não só a “confissão
sincera” (nas palavras do representante do MP) e o arrependimento manifestados pelo
arguido no tribunal como também a sua ficha criminal limpa e o tempo que já
decorreu desde a prática do crime.

A decisão do tribunal será conhecida a 23 de Fevereiro, pelas 14h00.