O
ex-carteiro que se apropriou de cerca de 37 mil euros, que vinham dentro de
três envelopes recebidos em Setembro de 2020 no centro de distribuição postal
dos CTT no Tecnopólo, confessou, esta manhã, no início do seu julgamento no
tribunal do Funchal, os factos que constam da acusação do Ministério Público,
manifestou-se “muito arrependido” e explicou que foi um erro que cometeu numa
fase “muito complicada” da sua vida.

Perante o
colectivo de juízas presidido por Carla Meneses, O. Quintal descreveu que
naquela altura estava lidar com um divórcio litigioso, encargos financeiros
acrescidos relacionados com o pagamento de duas casas e frustração
profissional, já que não se sentia valorizado pela empresa onde trabalhava há quase
20 anos. O antigo carteiro afirmou que se arrependeu do seu acto logo depois de
o ter praticado e que andou vários dias a pensar confessá-lo ao seu director e
em devolver o dinheiro. Foi por isso mesmo que tinha boa parte da verba (30 mil
euros) no seu carro quando foi detido pela Polícia Judiciária a
10 de Novembro de 2020, no centro do Caniço.

Já depois de
ser detido, o arguido devolveu o remanescente, pelo que todo o valor desviado
encontra-se depositado à conta deste processo. De qualquer modo, soube-se no
julgamento, por uma testemunha que é responsável dos CTT, que a empresa de distribuição
postal já pagou 1.272 euros de indemnizações ao Novo Banco e ao Santander, por
ser este o valor que os bancos declararam que se encontrava no interior dos
envelopes remetidos dos Açores. Segundo a acusação do MP, os bancos declaram
valores inferiores aos que efectivamente remetem na correspondência para pagarem
menos taxas de seguro aos CTT.

Dado que o
arguido confessou os factos, foram dispensadas as restantes testemunhas de
acusação. O julgamento prossegue a 24 de Março, para serem ouvidas as
testemunhas de defesa e as alegações finais.

O arguido
está acusado da prática dos crimes de peculato, falsificação de documento
agravado e violação do segredo de correspondência.