Boa noite!
Miguel Albuquerque lançou na noite eleitoral de 30 de Janeiro a
coligação com o CDS para 2023. Fê-lo com engodo a mais, de tal forma que muitos
dos seus criticaram a forma extemporânea na abordagem a um tema sensível, e habilmente
paparam a isca, sem morder o anzol.
Há provas inequívocas do desejo presidencial, repetido várias vezes
este mês, até com apelos à calma. Aliás, há seis dias!, era este o ponto de
situação.
Hoje, ao JM, diz que não disse o que realmente foi dito na
reacção aos resultados das legislativas nacionais. Ou seja, recuou, com estrondo. Sem surpresa, é certo, mas com algum protecionismo tácito.
Independentemente das questões regulamentares relativas à moção que leva ao congresso do PSD-M, entretanto já entregue e que está comprometida, restando saber se fica sem efeito, como se atreve Albuquerque a negar o
que toda gente ouviu? Vá lá que há provas públicas e publicadas.
Remeter para o ano que vem aquilo que quase todos os social-democratas
avessos ao repentismo sugeriram até podia
ser sinal de lucidez. Mas há algo por explicar na mudança repentina, da cedência depois da teimosia. Quis esvaziar
o congresso do PSD-M, evitar o confronto público e mais manifestações de
azedume? Foi aconselhado pelos craques nacionais que vieram à Universidade ‘Jota’
a ler melhor os sinais do tempos? Percebeu finalmente o quanto (não) vale o CDS?
Seja o que for, os ziguezagues políticos têm custos. Não se
admire por isso que lhe faltem ao respeito, que não o levem a sério e que não lhe
perdoem as sistemáticas contradições.