Desburocratizar os processos e serviços sociais de forma a
melhor corresponder aos cidadãos e, em especial, aos mais fragilizados,
garantindo um trabalho em rede e parceria que seja cada vez mais especializado
e que priorize a humanização e o voluntariado foram algumas das ideias
deixadas, hoje, quanto ao futuro, pelos cinco oradores da Conferência “O
desafio das Políticas Sociais no Século XXI”, organizada no âmbito do Projeto “Compromisso 2030”.

Segundo a nota de imprensa enviada pelo PSD, este projeto, conforme relembrou a Coordenadora para as áreas
da Inclusão e Solidariedade Social, Rubina Leal, tem precisamente por missão
ouvir, auscultar, perceber e, sobretudo, refletir na construção de um projeto
para a Região que, em consonância com a sociedade civil, afirme um compromisso
social e solidário para o futuro.

Enquanto desafio central, Marco António Costa, Ex-Secretário
de Estado da Solidariedade e Segurança Social, considerou que a demografia,
ligada à natalidade e à esperança de vida, assumem, de forma conjugada, a base
dos grandes desafios que se avizinham. E isto porque, atualmente, existe uma
inversão do modelo que seria natural, com menos crianças a nascer e um
envelhecimento crescente da população, que tem impactos a vários níveis e,
desde logo, na economia e no mercado do emprego, na sustentabilidade do Sistema
de Segurança Social, na pressão acrescida dos serviços públicos e no seu
financiamento e, também, na crise de solidariedade intergeracional, nos
problemas ligados às migrações e na aceleração da transição digital que, de
alguma forma, tem de garantir que os processos sejam mais simples e
desburocratizados, de modo a que se melhorem, efetivamente, as respostas aos
cidadãos.

Já Paula Margarido, Presidente do Conselho Regional da
Madeira da Ordem dos Advogados, fez questão de sublinhar a importância do
trabalho em rede e em parceria, de modo a que as políticas sociais cumpram
efetivamente o seu papel a favor da sociedade e destacou a necessidade deste
trabalho abrir horizontes aos seus destinatários, prestando ajuda, mas, também,
valorizando e ajudando as pessoas na construção dos seus próprios projetos de
vida. Trabalhar cada vez mais em rede e de uma forma institucionalizada,
desburocratizar com responsabilidade e humanidade, garantir que exista uma
coordenação aberta, formar e responsabilizar todos os intervenientes e, por
fim, avaliar, foram algumas das prioridades elencadas.

Por seu turno, o Presidente da Delegação Regional da Madeira
da Ordem dos Economistas, Paulo Pereira, centrou a sua intervenção na
importância do voluntariado e vincou que, quando se dá liberdade às pessoas, há
responsabilidade e há, sobretudo, preocupação em acautelar o futuro e cuidar
dos outros. Realidade que se torna difícil quando o Estado chama a si todas as
funções relativas à atenção para com o próximo, mas que deve ser, também, um
caminho a seguir para o futuro. Um futuro que, com maior crescimento económico,
mais desburocratização e menor carga fiscal, abre espaço, na sua opinião, a que
o voluntariado cresça.

Renato Carvalho, Presidente da Delegação Regional da Madeira
da Ordem dos Psicólogos, fez questão de sublinhar a importância do bem-estar e
da inclusão serem transversais a todas as políticas públicas, frisou a
necessidade de se intervir na infância para garantir melhor o futuro e também
destacou o facto da existência de programas que já existem para dar resposta a
vários problemas em simultâneo, tendo por base abordagens multinível a favor
dos cidadãos que mais precisam.

A rematar, Ricardo Fabrício, Professor na UMa, lançou o
desafio, à plateia, de pensar se efetivamente as políticas sociais no século
XXI são importantes, perante a complexidade do mundo em que vivemos e sublinhou
a necessidade destas políticas serem eficientes e cumprirem o seu objetivo,
deixando claro que existem dois parâmetros em que é fundamental fazer esta
avaliação e encontrar novas soluções para o futuro, designadamente nas questões
relacionadas com a habitação e o emprego, na lógica dos salários.