O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava abriu o 1.º Colóquio de Saúde, realizado no concelho, sob o tema "A saúde que queremos e como alcançá-la", afirmando que o Município "tem e sempre teve uma grande preocupação em oferecer aos seus cidadãos os
melhores cuidados de saúde. Sabemos que as competências autárquicas nesta área
são mínimas, quase escassas, no entanto, temos tentado apoiar a população ao
nível da literacia porque quanto mais informados estiverem, mais preparados
estarão para saber agir", disse Ricardo Nascimento.

O autarca frisou
a aposta na prevenção através de rastreios gratuitos, colóquios e de apoio aos
idosos nas diversas áreas. "O nosso papel enquanto município é apostar na
literacia, na sensibilização, no conhecimento e na informação para que as
pessoas possam saber atuar. É nosso papel também estabelecer parcerias para ter
um concelho com infraestruturas que respondam às necessidades da população",
referiu, salientando o serviço de urgência que funciona sete dias por semana,
três centros de saúde e clínicas privadas com várias especialidades, para além
de um Centro de Alzheimer e dois lares de idosos.

Ricardo Nascimento agradeceu o papel do
Governo Regional pelos investimentos feitos no concelho, bem como a colocação
dos profissionais de saúde na Ribeira Brava e aplaudiu o facto de o governo
avançar com a recuperação do centro de saúde do Campanário no que diz respeito
aos problemas de infiltração.

A sessão de abertura
contou ainda com a presença do director regional da Saúde. Herberto Jesus
referiu a necessidade de "privilegiar os fatores de risco numa sociedade que
está em constante mutação", reforçando que "o principal objetivo da vida é
ser-se saudável através de uma alimentação correta, de um estilo de vida ativo
e de uma sociedade atenta e inclusiva". Reconheceu o papel fulcral das
Autarquias na promoção de hábitos saudáveis por estarem "mais perto da
comunidade e mais atentos às suas necessidades", numa altura em que a esperança
média de vida é de 80 anos.

O programa da manhã juntou vários especialistas, entre
eles três jovens médicos naturais da Ribeira Brava, e consistiu na abordagem à
prevenção e identificação sintomatológica precoce das doenças, com o foco na
diabetes, pelos médicos Bruno Sousa, nas doenças cardiovasculares, Sofia
Almada, nas doenças mentais, Jorge Velosa, nos cuidados
paliativos, Licínia Araújo, na medicina familiar, Luís
Sousa, e na formação de médicos na Região, a professora Rosa
Gouveia.

Durante a tarde, foi debatido o papel do Centro de Alzheimer 'O Dragoeiro', pela directora Bina Pereira, bem como o modelo de saúde
da região e as perspetivas para o futuro.

Ricardo Nóbrega, delegado de saúde, focou-se no trabalho
desenvolvido pelos 47 centros de saúde distribuídos por sete zonas geográficas,
cuja missão é garantir a prestação de cuidados à população.

Quanto a perspetivas
futuras, destacou a aposta na qualidade dos serviços de saúde para melhorar a
resposta e a otimização dos cuidados prestados aos utentes, a redução das
desigualdades no acesso à saúde, a melhoria das respostas dos serviços
primários que inclui médico de família para todos, a transição digital e o
investimento na inovação e na investigação clínica de forma a transformar
conhecimento em valor social, assegurando diferentes e melhores formas de
tratamento.

Já Rafaela Fernandes,
presidente do Conselho de Administração do SESARAM, destacou a valorização dos
recursos humanos nas diversas áreas da saúde e o investimento feito desde a
regionalização do serviço regional de saúde que não se baseou apenas na
construção de edifícios.

"Para alcançarmos a saúde
que queremos, precisamos de profissionais e precisamos que cada um de nós adote
comportamentos responsáveis", referiu.

Numa altura em que se
verifica o abandono de pessoas nos hospitais, deixou dois desafios à autarquia:
a criação de redes sentinelas que funcionam na comunidade e cujo papel é alertar
para a mudança de comportamentos das pessoas, e a criação de residências
comunitárias com estruturas de apoio à população.

Numa perspetiva de
combate ao desperdício na saúde, o SESARAM trabalha no processo clínico único
que funcionará em rede para que qualquer pessoa, com ou sem acesso às novas
tecnologias, possa ter acesso à sua informação de saúde.

Este primeiro colóquio de
saúde dinamizado na Ribeira Brava foi profícuo na partilha de ideias, conselhos e no lançamento de alguns
desafios. Ficou patente que uma parte da saúde que queremos ter é a imagem dos
nossos hábitos diários, e que o serviço de saúde tem de envolver parcerias e a
participação de todos.