Na abertura do Conselho Geral da Cáritas Portuguesa, que
decorreu esta noite, na Igreja do Colégio, o presidente da Câmara Municipal do
Funchal deixou à reflexão a forma como são canalizados os
apoios.
Que tipo de ajuda é que nós queremos dar às pessoas? Queremos
continuar a ter uma sociedade assistencialista, uma sociedade subsidiodependência,
ou uma sociedade em que nós vamos dar condições às pessoas para produzirem mais
e melhor.
Pedro Calado adverte que num país que tem cada vez mais
limitações e dificuldades, é necessário canalizar os apoios a quem efectivamente
mais precisa e alargar esses apoios a mais pessoas. Partilhou algumas estatísticas
para ajudar a fazer uma “correcta” reflexão sobre que “caminho estamos a
construir e que bases é que estamos a criar para a sustentabilidade da nossa
sociedade”.
Estamos numa sociedade envelhecida, numa sociedade cuja
população ativa não é suficiente, para trabalhar e aguentar a polução mais
idosa. Há que ter a coragem de uma vez por todas para reformular todo o sistema do país. Enquanto não tivermos capacidade de atrair jovens para trabalhar, com menos horas, com melhores condições, nós não temos a capacidade de chamar jovens para serem pais e mães e construir uma sociedade justa, plena de direitos e de igualdades, mas sobretudo equilibrada.
O autarca referiu que quem está na Cáritas e tem a função de
ajudar não tem uma função mais leve do que aqueles que tem funções públicas e
que todos os dias são chamados a acudir a um sem-número de pedidos de
apoio. Citou "mais importante do que dar o
peixe é ensinar a pescar”, sublinhando que isto “obriga-nos a dar condições às
pessoas para produzirem mais e melhor, e sermos mais justos com quem realmente
precisa.
A sociedade
vai evoluindo, nós vamos tendo melhores condições, algum dinamismo económico,
comercial, social, mais liberdade, mais democracia, toda a gente a fazer mais e
melhor, e depois no final parece que existe cada vez mais dependência, cada vez
mais necessidade, cada vez mais ajuda. Há que refletir e pensar onde e como é
que chegamos até aqui e que caminho é que nós queremos fazer daqui para a
frente.

