A Assembleia Geral extraordinária do CS Marítimo, requerida
por um grupo de sócios, para debater o momento do clube, votar a destituição da
direcção e marcar eleições, deverá acontecer em Maio do próximo ano. Essa foi a
decisão da Mesa da Assembleia Geral, presidida por José Augusto Araújo, que
esteve reunida, ontem, com os três sócios que promoveram a iniciativa, Abel
Spínola, Egídio Carreira e Hélder Santos.

O Movimento ‘Salvar Marítimo’ pretendia que a Assembleia Geral
fosse marcada para 28 de Novembro e as eleições a 12 ou 15 de Dezembro, mas a
Mesa considerou que não havia condições para isso. O presidente da Assembleia Geral
entende que uma reunião com a ordem de trabalhos pretendida deve ser muito
participada. Ora, Hélder Santos, em entrevista à TSF-Madeira, revela que: “Nenhum
de nós concordou com a data, que rejeitamos linearmente.”

O sócio lamenta que José Augusto Araújo não tenha legitimado
o Movimento. “O José Augusto nunca nos deu muita hipótese e, agora, de uma
maneira um pouco ridícula, marca uma Assembleia Geral para daqui a seis meses.
Não tem qualquer cabimento. Eu saí da reunião quase em gargalhada, sem entender
como é que isto é possível.”

Depois de rejeitar a data marcada para a Assembleia Geral, Hélder
Santos acredita que “o Movimento já pouco ou nada pode fazer.” Queixa-se de ter
sofrido ameaças e de ser alvo de comentários que o deixaram magoado, fazendo
com que não se sinta bem no seu “santuário”, o Estádio do Marítimo. Por isso: “O
nosso Movimento não vai fazer mais nada. O Movimento, para mim, está encerrado.”

Para mim, isto está encerrado. Não vou esperar por Maio,
não vou esperar por Junho. É uma página negra do meu maritimismo. Vou esquecer
o Marítimo até daqui a seis meses. A minha paixão pelo Marítimo é enorme, mas este
não é o Marítimo que eu quero.
— Hélder Santos

“Isto vai acabar mal”

Hélder Santos lembra que o Movimento ‘Salvar Marítimo’ surgiu,
precisamente, para salvar o Marítimo, para que “as pessoas acordassem deste pesadelo
o mais depressa possível.” Reitera não querer “mau ambiente no clube, mas a
verdade é que a actual direcção é incapaz.” Segundo o sócio, o problema parte
da tentativa de total ruptura com o passado. “A direcção quis mudar tudo, mas
havia gente muito competente no Marítimo”, afirma, para acrescentar que: “Quando
se chega e se tenta mudar tudo em um ano, isso vai trazer problemas.”

Aliás, lembra que “o passado não foi uma desgraça”, que a anterior
direcção de Carlos Pereira “deixou 56 milhões de euros de património”, vitórias
e recordes a nível de espectadores. Admite que a relação de Carlos Pereira com
os sócios era “péssima”, mas essa ligação é, agora, o único ponto positivo de uma
nova direcção "sem rumo, que mentiu desde o primeiro dia.” A actual
situação do clube é, para Hélder Santos, “um descalabro total”.

Acusa Rui Fontes de manipulação “à Bruno de Carvalho”, e
considera ser “uma coisa muito estranha que os sócios do Marítimo se mantenham
impávidos e serenos à espera de um milagre.”

A verdade é que os sócios estiveram sempre presentes. Não
foi pelos sócios que o clube caiu nesta desgraça, foi pela incompetência que
esta direcção tem revelado, que é algo que já esperávamos. Como sócios atentos,
o que aconteceu há 30 anos está-se a repetir. Não percebemos como é que a massa
associativa não reage mais rápido, principalmente as claques que falam em
grande maritimism. Acho estranho assumirem a mesma posição da direcção. Penso
que isto não vai acabar bem.
— Hélder Santos

Hélder Santos acredita que, se o Marítimo descer de divisão,
“vão ser as próprias claques a pôr o Dr. Rui Fontes fora.” Em vez de “esperar o
milagre”, defende que o clube deve “levar um abanão agora, quando as coisas
ainda se podem resolver”, porque “desportivamente tem sido um descalabro.”

O Dr. José Augusto Araújo é quem deve dirigir o Marítimo agora,
e deve responsabilizar-se por aquilo que está a acontecer ao clube. Aquilo que
está à vista de todos é o desnorte. Eu disse ao presidente da Assembleia Geral:
‘Está nas tuas mãos, vais ser o responsável por isto.” Perguntei por que razão não
pega na direcção, fica com os competentes e deixa os incompetentes. Sinto que
há uma insegurança e que José Augusto vai ficar com o menino nas mãos.
— Hélder Santos