O Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, disse hoje, durante a homilia, na Festa do Senhor dos Milagres, em Machico, que Jesus é um "exemplo para todos os seres humanos". Isto porque, justificou, "o caminho da
verdade, do amor e da paz é o único capaz de construir um mundo
novo".
Apesar dessa dificuldade queremos todos nós percorrer o
caminho de Jesus: queremos arriscar nele a nossa vida, mesmo sabendo que, tal
como sucedeu com o mestre, também para nós a cruz é sempre uma possibilidade
final — e mesmo sabendo que, como sucedeu com o Senhor, muitos nos hão-de
querer crucificar, se não num madeiro, pelo menos nas línguas venenosas da
praça pública".
De acordo com o prelado madeirense, "ricos ou pobres, famosos ou desconhecidos, não existe
vida humana que não encontre, mais tarde ou mais cedo, a marca do sofrer".
Não procuramos o sofrimento, mas ele vem ao nosso encontro como
sinal, marca do nosso pecado, do nosso egoísmo — marca dessa realidade do
pecado que partilhamos com todo o género humano".
Segundo D. Nuno Brás, "Deus poderia ter-nos abandonado nessa condição".
Afinal, o nosso
pecado é um acto de revolta contra Ele e contra o plano de vida que Ele tem
para todos e para cada um. Mas Deus não nos abandona. Não porque o mereçamos,
mas apenas porque Ele, de verdade, nos ama, a todos e a cada um".
O Bispo do Funchal disse também que "Jesus crucificado vai ainda mais longe: Ele não é apenas um exemplo exterior e uma companhia no sofrimento".
Quando tudo parecia ter terminado; quando parecia que o seu
caminho tinha chegado a um muro intransponível que é o muro da morte — tanto
que os próprios discípulos fugiram, desanimados e regressaram a suas casas,
julgando que tudo tinha acabado e não passava de mais um ideal não
concretizado, promessas que o vento tinha feito desaparecer — quando tudo
parecia ter chegado ao fim, eis que a vida de Deus derrota a própria morte,
esse grande inimigo do género humano. Quando o pecado e a morte julgavam ter
vencido o próprio Deus e derrotado para sempre a vida, eis que do sepulcro surge o ressuscitado, rompendo as cadeias e as portas da morte, vencedor final
dessa batalha tremenda que é a vida humana ao longo da história".
Por fim, D. Nuno Brás afirmou que é importante olhar para o Senhor dos Milagres de Machico como o “salvador” e uma “companhia”.
"É por isso que, hoje, queremos olhar uma vez mais para a cruz
de Jesus. Como os nossos antepassados queremos olhar para este Senhor dos
Milagres de Machico — esta cruz que parecia ter sido irremediavelmente
arrastada e destruída pela aluvião de 1803, mas que insistiu em permanecer
connosco. Queremos olhar para este Senhor e reconhecer nele o nosso salvador.
Feridos pelo pecado, pelo sofrimento e pela dor; feridos pelas nossas
incapacidades e vergonhas, queremos olhar para Ele, encontrar nele o exemplo
que queremos seguir, a companhia com quem queremos caminhar, a vida eterna que
queremos receber", concluiu.

