De acordo com o portal imobiliário idealista.pt, "a subida acentuada dos juros nos últimos meses está a provocar um aumento no
esforço financeiro das famílias portuguesas para a compra de casa, destinando
41% do seu rendimento familiar para esse fim", informa. "Na ilha da Madeira o esforço passou de 23% a 35% num ano", ainda assim abaixo da média nacional e dos principais centros urbanos, com destaque para Lisboa, embora o Funchal esteja na média do país e é a segunda capital de distrito/região autónoma com maior aumento da taxa de esforço.
"Comparando com há um ano, as
famílias destinavam 28% dos seus rendimentos", hoje a situação de aumento da taxa de esforço "acontece em todos
os distritos e capitais de distrito portugueses, segundo um estudo publicado
pelo idealista que cruzou os preços de venda em Setembro de 2022 com os custos
financeiros da compra de uma casa e a estimativa do rendimento familiar nesse
mesmo período", explica (o método está no texto em baixo).
Taxa
de esforço por distritos
"Foi
no distrito de Lisboa onde mais aumentou o esforço necessário para comprar casa,
passando de uma taxa de 39% do rendimento familiar no terceiro trimestre de
2021 aos 58% deste ano. Seguem-se os aumentos de Faro (de 31% a 45%), Setúbal
(de 24% a 38%), Porto (de 29% aos 41%) e ilha da Madeira (de 23% aos 35%)", resume.
Por
outro lado, "as menores subidas da taxa de esforço, encontram-se em Viana do
Castelo que passou de uma taxa de 17% do rendimento familiar aos 20% no
terceiro trimestre de 2022, Portalegre (dos 11% aos 14%), Beja (dos 13% aos
16%), Évora (dos 15% aos 20%) e Guarda (dos 12% aos 16%)", aponta.
No caso do distrito de Lisboa, que é "o que mais esforço exige aos seus habitantes, sendo
necessário destinar 58% do rendimento familiar para comprar casa", estão bem longe dos
distritos de Faro (45%), Porto (41%), Setúbal (38%), ilha da Madeira (35%),
Aveiro (27%), Leiria (25%), Braga (25%), Coimbra (23%), Vila Real (23%), Viana
do Castelo (20%), Viseu (20%), ilha de São Miguel (20%) e Évora (20%)", enquanto que "os
distritos que dedicam menos esforço são Portalegre (14%), Guarda (16%), Beja
(16%), Castelo Branco (17%), Bragança (18%) e Santarém (19%)".
Por capitais de distrito, "a tendência é similar", pois "a maior subida aconteceu em
Lisboa, onde o esforço financeiro para pagar a casa passou de 53% a 76% do
rendimento familiar. Seguem-se as subidas do Funchal (de 25% a 41%),
Porto (de 33% a 46%), Setúbal (de 23% a 36%) e Faro (de 25% a 38%), Évora (de
20% a 32%)", sendo que "Portalegre
foi a capital de distrito onde menos aumentou a taxa de esforço para a compra
de habitação, fixando-se entre os 11% e 15%, seguida por Castelo Branco (de 14%
a 19%), Vila Real (de 18% a 23%), Santarém (de 14% a 20%) e Guarda (de 12% a
18%)".
Termina o artigo apontando às cidades, com a capital madeirense 'bem' colocada nesse indesejado ranking. "Lisboa
é a cidade que mais esforço exige aos seus residentes, uma vez que é necessário
disponibilizar 76% do rendimento familiar para pagar a casa. Seguem-se o Porto
(46%), Funchal (41%), Faro (38%), Setúbal (36%), Aveiro (35%), Évora
(32%), Coimbra (31%), Braga (29%), Ponta Delgada (27%), Viseu (26%), Viana do
Castelo (26%), Leiria (23%), Vila Real (23%), Beja (21%) e Santarém (20%)", lista. "Por
outro lado, as taxas de esforço mais baixas foram registadas em Portalegre
(15%), Guarda (18%), Castelo Branco (19%) e Bragança (19%)", conclui.
Metodologia da Estimativa do Rendimento Líquido por
Família e Taxas de Esforço
A
taxa de esforço mede o peso da habitação no poder de compra do agregado
familiar. Desta forma, os cálculos são feitos com base no valor da casa, à
venda ou em arrendamento (dependendo do estudo em causa) e as estimativas de
rendimento líquido das famílias. No caso do arrendamento, calcula-se a taxa de
esforço com base no valor anual do rendimento líquido da família usado para
pagar a renda da casa. Em relação à compra de casa, a taxa de esforço é
calculada com base no valor anual do rendimento líquido do agregado familiar
que é utilizado para pagar um crédito habitação 'típico', estipulado
com características médias de taxas de juros e duração do crédito. Devido aos
recentes aumentos das taxas de juro, o cálculo foi atualizado tendo em conta os
dados mais recentes publicados pelo BCE.
Os
valores de venda e arrendamento são fornecidos por dados do idealista, que
indica preços médios para cada cidade. No caso do rendimento familiar líquido,
na ausência de dados oficiais atualizados para cada cidade, foram usados vários
modelos de aprendizagem automática que combinam informações de métricas
socioeconómicas de diferentes fontes (públicas e idealista).
Os
modelos de aprendizagem automática do idealista são essencialmente do tipo random
forest e com gradient boosting (CatBoost), sendo treinados com dados
públicos: rendimento declarado por agregado fiscal (€) por localização
geográfica - 2020 último ano disponível, no INE. Treinados os modelos, é gerada a inferência estatística para
poder imputar os níveis de rendimento por lar sobre outras segmentações ou
localizações.
Estes
modelos permitem obter uma estimativa confiável do nível de rendimentos de
forma relativamente rápida (frequência trimestral e sem atraso de publicação) e
com alto nível de desagregação territorial, obtendo estimativas para cada
bairro/zona de todas as cidades da Espanha, Itália e Portugal. Todos os modelos
do idealista são verificados e revistos regularmente para que mantenham um alto
nível de precisão e confiabilidade.

