Decorre, hoje e amanhã, uma greve nacional dos farmacêuticos
dos serviços públicos de saúde. Na Região, regista-se uma elevada adesão à
greve entre os profissionais que exercem actividade no SESARAM. Ao que
apuramos, a Farmácia hospitalar está a funcionar com serviços mínimos.
No SESARAM trabalham 29 farmacêuticos e uma das queixas, que
mais apresentam, é a não evolução nas carreiras.
Como deu conta, nesta manhã, a agência Lusa, Os
farmacêuticos dos serviços públicos de saúde iniciaram hoje uma greve de dois
dias, que se repetirá em Novembro, pela revisão e actualização das grelhas
salariais e contagem integral do tempo de serviço no SNS para progressão na
carreira.
A greve, convocada pelo Sindicato Nacional dos Farmacêuticos,
inclui dois dias em Outubro (hoje e quarta-feira) e dois em Novembro (15 e 16)
e abrange todos os serviços de saúde dependentes dos ministérios da Saúde,
Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e Defesa Nacional, assim como nos
Açores e na Madeira.
Além da valorização profissional e da contagem integral do tempo
de serviço no SNS para efeitos de promoção e progressão na careira, o sindicato
exige também a vinculação efectiva dos farmacêuticos a exercer no Serviço
Nacional de Saúde (SNS) com contratos precários e a adequação do número de
profissionais às reais necessidades e complexidade das atividades
desenvolvidas.
No pré-aviso de greve, o sindicato pede igualmente o
reconhecimento e homologação, por parte do Ministério da Saúde/Administração
Central do Sistema de Saúde, dos títulos de especialista atribuídos pela Ordem
dos Farmacêuticos, assim como a definição e regulamentação "de processo
especial e transitório para regularização do acesso à especialidade/residência
farmacêutica por parte dos farmacêuticos contratados após 01 de março de
2020".
Denuncia também a "precariedade, falta de estabilidade e más
condições de trabalho nos serviços farmacêuticos", assim como a
"falta de segurança no circuito integrado do medicamento e outros produtos
farmacêuticos".
Os serviços mínimos serão assegurados nos serviços que funcionem
ininterruptamente 24 horas por dia, nos sete dias da semana, propondo-se
indicativamente um número igual de farmacêuticos àquele que garante o
funcionamento aos domingos, no turno da noite, durante a época normal de
férias, "sendo que tais serviços serão fundamentalmente assegurados pelos
trabalhadores que não pretendam exercer o seu legítimo direito à greve",
refere o pré-aviso.
Em declarações anteriores à agência Lusa, Henrique Reguengo, do
Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, considerou que o Serviço Nacional de
Saúde (SNS) se transformou "num sítio muito pouco apetecível para quem
inicia a sua atividade profissional"
"Não existe Serviço Nacional de Saúde sem uma atividade
farmacêutica bem estruturada e capaz, seja na farmácia hospitalar, nas análises
clínicas e na genética, que são as três especialidades que os farmacêuticos têm
no SNS, mas para isso nós precisamos de atrair os melhores de nós. E, com este
panorama, claramente isso não vai acontecer", afirmou.
