O deputado à Assembleia Legislativa da Madeira e presidente da JSD-Madeira, Bruno Melim, foi um dos oradores desta segunda-feira na
conferência 'A evolução social e o (des)igual impacto das redes socais', que se
realizou no salão nobre da Câmara Municipal de Câmara de Lobos por ocasião do Dia
Municipal para a Igualdade que se assinala neste 24 de Outubro.
Na mesa-redonda moderada por Mariana Bettencourt e que contou com a
presença de Joana Martins, Alícia Freitas, Rita Aleluia e Marcelino Gonçalves,
o jovem deputado começou por elogiar o trabalho das sucessivas vereações
lideradas por Pedro Coelho no trabalho “pela promoção pela igualdade que se faz
em Câmara de Lobos, esbatendo as diferenças, pela aproximação e sensibilização
das novas gerações as estas temáticas”, lembrando o papel importante que Câmara
de Lobos tem na Região como cidade amiga da Educação.
Câmara de Lobos foi a única autarquia
da Região a ser distinguida pela política da promoção de igualdade de género,
sinal também da importância que dão aos temas que são parte importante da
agenda política dos mais jovens num concelho que é, pela sua história, um
concelho com uma população eminentemente jovem.
Partindo dessa premissa, Melim referiu ainda que só existe promoção para a
igualdade se percebermos que existe, igualmente, o direito à diferença onde a
equidade deve ser o eixo que corrige, quando necessário, as diferenças entre
semelhantes.
“Uma das grandes barreiras para a literacia em igualdade passa por
uma espécie de doutrinação que alguns intervenientes tentam assumir como
verdade absoluta, promovendo comportamentos que segregam e hostilizam as
minorias do que as incluir num todo que constitui uma comunidade pluralista”,
referiu também o deputado numa alusão de que a integração “faz-se com diálogo e
sensibilização e não por via da imposição seja na escola, em casa ou nas
actividades extracurriculares. O Estado falha quando procura doutrinar os mais
jovens".
No âmbito da sua intervenção, referiu as dinâmicas próprias das
novas gerações na utilização das redes sociais lembrando que o fenómeno global
da internet é, muito maior, do que a amplificação dos comentários em circuito
fechado.
Precisamos de consciencializar os nossos jovens de que as redes
socias têm um alcance muito superior à sua vida e comunidade diária sendo que
por detrás dos números e partilhas de determinados conteúdos, existem pessoas
com intenções diferenciadas que podem lesar a vida de qualquer um através de
uma utilização indevida destes instrumentos.
E salientou que o número de 'likes' e partilhas é, por vezes, “dez ou vinte vezes superior ao número de pessoas
com quem lida diariamente.”
“Sem alarmismos ou fundamentalismos”, o também líder da JSD-Madeira referiu
às diferentes esferas da vida alertando que nem tudo pode ser público, sob pena
de expormo-nos em demasia.
“Ter mais exposição implica ter mais
responsabilidade e num mundo em que há mais informação, não necessariamente
mais comunicação, há riscos que podem e devem ser evitados, pelo que a
existência de redes sociais que apelam “à originalidade do Ser”, cria o espaço
ideal para uma sociedade mais extremista, conservadora e intolerante uma vez
que as plataformas de informação não implicam, necessariamente diálogo”.
Por fim, como medida de combate à desigualdade o orador referiu a
necessidade de se melhorarem os instrumentos do estado, nomeadamente em
matérias relacionadas com as licenças de parentalidade “onde não só devem
equilibrar-se os períodos de licença dos pais da criança recém nascida, mas
também olhar ao sector privado e proceder a uma revisão da lei que lhes garanta
a protecção necessária, na prossecução dos seus objectivos, independentemente da
realização familiar dos seus colaboradores”, relembrando que o Fórum Económico
Mundial estimava em 2019 que o “GAP salarial” entre homens e mulheres
demoraria, à velocidade actual, 125 anos a esbater-se.

