A ANA, Aeroportos de Portugal, não gostou do que ouviu e leu
sobre os “despropositados” aumentos das taxas aeroportuárias, severamente
criticados pelo CEO da Ryanair e pelo secretário regional do Turismo, e
respectivos impactos na operação da
companhia irlandesa e na competitividade do destino Madeira.

Vai daí que tenha elaborado uma espécie de comunicado em que
se assume como a principal financiadora das novas rotas para a Região e em que se
queixa da ingratidão com que é tratada no arquipélago onde, por sinal, registou
nos primeiros oito meses deste ano movimentos de passageiros e aviões acima dos
níveis pré-pandémicos, algo que não conseguiu em mais nenhum outro aeroporto do
País. Parabéns pelo feito, mesmo que não tenha sido assinalado com entusiasmo, o que é entendível se o mérito for de terceiros.

É indisfarçável o engulho que causou o pequeno-almoço para o
qual Eddie Wilson convidou os jornalistas
madeirenses com o propósito esclarecer todas as dúvidas. As perguntas foram
feitas, as respostas dadas com toda a frontalidade, só faltando a opinião na hora
do director do Aeroporto que se esquivou ao tema quente, sugerindo que o mesmo fosse colocado para os
seus superiores hierárquicos em Lisboa. E assim vai a autonomia na ANA, em tudo semelhante ao que se passa em instituições que operando na Região não dão um passo sem autorização central.

Foi o que fizemos, posteriormente e por escrito, embora a
resposta à pergunta do DIÁRIO tenha sido enviada também para outros meios de
comunicação social, sem qualquer alerta para tal facto no e-mail que recebemos
na noite de ontem. Não nos parece minimamente ético tal procedimento, e disso
demos conta hoje à Direcção de Comunicação da ANA, que mais nada disse, apesar
de ter outras quatro questões para responder, de preferência, apenas ao remetente.

Posto isto, não podemos deixar passar em claro que a ANA tenho
sido deselegante ao ponto de classificar de “evento comercial organizado pela
Ryanair no aeroporto do Funchal" o encontro entre o CEO da companhia e os
jornalistas madeirenses, no qual estiveram presentes também, a seu convite, o
secretário regional do Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, e o anfitrião, director
do Aeroporto, Roberto Santa Clara Gomes. Respeito é o mínimo que se exige. Por
nós e por quem quer que seja, que no exercício da sua missão é desconsiderado de forma leviana.