Os regulamentos para a atribuição
de apoios às famílias carenciadas de São Gonçalo – Programa de Proteção Social
e Famílias, Programa de Bolsas de Estudo aos estudantes universitários e
Programa de Formação e Educação – foram ontem aprovados por unanimidade, tendo
o representante do PS e ex-autarca de freguesia explicado que o voto favorável
dos socialistas mostra que a oposição se preocupa com o bem-estar da população
e está atenta às suas dificuldades.
Paulo Bruno Ferreira lembra que
estes apoios já existiam, mas com outra designação (apoio em géneros
alimentares, apoio em bolsas de estudo e apoio em materiais escolares), pelo
que estes programas são "cópias integrais do que havia, com muito poucas
diferenças", a não ser os valores a atribuir.
O socialista lamenta que o
executivo da junta de freguesia de São Gonçalo (PSD) tenha recusado uma
proposta apresentada pelo PS que previa a criação de uma comissão com um
representante de cada partido para analisar os processos de atribuição, ou não,
dos apoios. "Desta forma, São Gonçalo seria pioneiro na concretização da
tão falada, mas sempre recusada, transparência", explica o representante
do PS. Esta proposta foi recusada porque referia que os quatro membros da
comissão deveriam receber uma senha de presença de 14,70 € por reunião (estavam
previstas quatro por ano).
"O presidente da Junta, no
seu discurso de apresentação dos programas, enalteceu a transparência e o rigor
que estes representavam, dizendo que se deixava de apoiar os amigos, mas
recusou uma comissão cuja única tarefa que teria a executar seria aferir a boa
instrução dos pedidos e a sua atribuição", lamenta Paulo Bruno Ferreira,
acusando o executivo de ter chumbado a proposta porque quer "apoiar a seu
bel-prazer e em prol dos seus escolhidos".
O ex-autarca de São Gonçalo
salienta que o Plano de Atividades da Junta é bom, porque é idêntico ao do
anterior executivo. Mas adverte que "não pode reduzir verbas para apoios
às instituições da freguesia, para obrigá-las a mendigar, nem pode criar um
programa social com dotação e sem critério para as atribuições".
Bruno Ferreira justifica ainda
que o PS não pode aprovar um plano plurianual de investimentos com 12% do
orçamento, "quando no ano passado apresentamos 18% de investimento e o PSD
chumbou-nos o orçamento com o argumento de pouco investimento".
"Podem ver quais os nomes e
verbas atribuídos no nosso plano de atividades e plano plurianual de
investimentos referente a 2021 e chumbado pelo PSD e podem verificar quais os
nomes e verbas aplicados pelo PSD no seu orçamento e plano de 2022. Temos muito
orgulho no nosso trabalho e temos muito orgulho de, ao contrário do que
recebemos, termos deixado para base de trabalho todos os regulamentos, normas e
propostas de orçamento".
"Nós tivemos que aprender e
fazer sós. O atual executivo pode e deve vangloriar-se com o nosso trabalho,
porque o que nós queremos é um melhor São Gonçalo", diz ainda Paulo Bruno
Ferreira, acrescentando que a reunião não foi "assim tão pacífica",
porque a mesa "ignora intervenções e não repercute o que dizem os
vogais".
O
socialista aponta também a falta de coerência, de verticalidade e de
honestidade intelectual daqueles que, “na oposição, agiam de uma forma e, agora
no executivo, agem de outra”.
