Em jeito de balanço ao MIUS – Madeira Island Ultra Swim
2021, Avelino Silva, director executivo da prova e presidente da Associação de
Natação da Madeira, reforça a convicção que “a Madeira tem excelentes condições
para se afirmar a nível europeu e internacional nas águas abertas”, mesmo
reconhecendo que há aspectos organizacionais a melhorar, concluída que está a
2ª edição do evento que contou com perto de meia centena de participantes.
A convicção do dirigente sai reforçada depois de ouvir as
reacções dos atletas, aspecto que considera ser muito importante para a
organização.
Em entrevista ao DIÁRIO, Avelino Silva assume a ambição
de dar um cunho mais profissional a toda a ampla logística que envolve o MIUS face
ao potencial muito grande que a prova tem para poder crescer e afirmar-se mesmo
como mais um evento do cartaz turístico, ao nível dos melhores que a Região
apresenta.
“No global, sim, [MIUS – Madeira Island Ultra Swim 2021] correspondeu
às expectativas. Naturalmente que há que ter a humildade de perceber que há
aqui ou outra coisa que podemos melhorar. O feedback dos atletas para nós é
muito importante. Temos aqui atletas de alto nível, que têm uma experiência
muito grande, que participam em outras competições nacionais, mas o que nos têm
dito é que a Madeira tem excelentes condições para se afirmar a nível europeu e
internacional nas águas abertas, tem gostado imenso e a pergunta que se faz
nesta altura é quando é que é a próxima edição”.
O dirigente faz notar que esta é ainda a 2ª edição da
prova, mas ainda assim eleva a fasquia.
“Só estamos na segunda edição. Há aqui coisas que naturalmente
só testando é que conseguimos perceber se são as opções mais acertadas ou não,
há que reconhecer e ter essa humildade, percebemos que há aqui um potencial
muito grande para crescer e temos essa ambição, que é fazer deste evento um
cartaz turístico, como é o Trail, é o Rali Vinho Madeira, é a Festa da Flor, o
Fim de Ano, no fundo queremos dar o nosso contributo aproveitando este recurso
natural que é o mar”.
Apesar de no total das cinco provas do MIUS terem participado
345 atletas, apenas 8 estiveram à partida na prova rainha, dos 30 quilómetros.
Avelino Silva justifica os poucos aventureiros, face ao tempo de preparação necessário
para realizar uma prova desta exigência.
“Os atletas que fazem este tipo de provas não se preparam
um mês antes, nem dois meses antes. Fazer uma prova de 30 quilómetros exige
muita preparação e um conjunto de logística que não se prepara nem em 6 meses.
Prepara-se num ano. A verdade é que essa é mais uma aprendizagem. Não podemos
incentivar que esta prova vai mesmo realizar-se 6 meses antes. O contexto
pandémico também não ajudou. Havia sempre a incerteza se fazíamos ou não as
provas. Houve atletas que nos procuraram com o desejo de vir cá, mas também não
podiam sair dos seus países, lembro-me de casos como a Nigéria e até no Brasil,
portanto, penso eu, que estando estabilizada esta questão pandémica, acredito eu
e nós podendo anunciar já de imediato e este apoio que o governo ainda ontem
confirmou e reforçou, permite que nós atempadamente, um ano antes, se possa já
anunciar a próxima edição e aí sim, haver mais atletas participantes, principalmente
na prova maior, que exige uma preparação muito atempada”.
Entretanto a próxima edição começa já a ser preparada.
“Queremos já trabalhar. Este apoio do governo regional
para nós era muito importante, até porque a logística desta prova é muito
forte, é muito grande. O objectivo primeiro é sempre a questão da segurança dos
atletas e neste contexto de mar é sempre mais complexo organizar uma prova
destas do que em contexto de piscina, e isso naturalmente exige recursos,
recursos humanos e financeiros que para crescermos é preciso outro tipo de
logística, quase que é preciso profissionalizar esta competição, onde queremos
dar passos firmes nesse caminho da profissionalização para que os atletas continuem
a sentir-se seguros e nós consigamos dar resposta, porque uma coisa é organizar
com 500 atletas, outra coisa é organizar com mil ou dois mil atletas. Não tendo
nesta altura mais de 500 atletas até é bom porque ia extravasar a nossa capacidade
logística em conseguir dar resposta aos atletas”, concretizou.

