O epidemiologista Manuel Carmo Gomes considera “arriscada” a
decisão do Governo Regional considerar válidas todas as vacinas conhecidas
actualmente, mesmo as que não foram aprovadas pela Autoridade Europeia do
Medicamento (EMA).
Em declarações ao DIÁRIO o professor da Faculdade de Ciências da
Universidade de Lisboa e um dos peritos que o Governo escutou nas reuniões do
Infarmed, explica que “é melhor estar vacinado, mesmo com taxa de
efectividade mínima, do que não estar”. Carmo Gomes alerta, no entanto, que não
são conhecidas todas as especificidades das vacinas existentes, designadamente
as chinesas, que ao que tudo indica “têm uma efectividade baixa”.
O especialista afirma que o importante é
conhecermos a qualidade da matéria-prima e o controlo de qualidade a que cada
produto é submetido. E insiste: “É melhor estar vacinado mesmo com uma vacina
com 50% de eficácia do que não estar”.
Sobre se o País deve seguir o exemplo da Madeira, o epidemiologista diz que
essa é uma “decisão política”, apesar de considerar que a Direcção-Geral da
Saúde deve continuar ligada às directivas emanadas pela EMA, no seio da União
Europeia, apesar de ter existido já quem “furasse” o padrão seguido, como foi o
caso da Hungria, que comprou, inclusive, a vacina Sputnik à Rússia.
Ontem, o secretário regional da Saúde revelou que a Madeira vai permitir a
entrada de todos os viajantes que tenham uma qualquer vacina administrada.
Actualmente a DGS apenas deu luz verde a quatro: BioNTech-Fizer; Moderna,
AstraZeneca e Janssen.
Pedro Ramos justificou a medida dizendo que as outras vacinas conferem “um grau
de protecção semelhante” às que são reconhecidas em Portugal e pela União
Europeia.

